RECORDES NO COMÉRCIO

Importações via Programa Remessa Conforme batem recorde de R$ 2,6 bilhões

Caixas de entregas internacionais empilhadas simbolizando o aumento das importações via Programa Remessa Conforme.
O volume de remessas internacionais via Programa Remessa Conforme cresceu após a isenção de tributos federais sobre pequenas compras.

Volume de compras internacionais alcançou o maior patamar da série histórica em junho de 2026 após mudanças na tributação federal.

O volume de compras internacionais realizadas por brasileiros atingiu R$ 2,6 bilhões em junho de 2026, conforme dados divulgados pela Receita Federal, consolidando o maior patamar da série histórica do Fisco desde a implementação do registro mensal. Esse aumento expressivo no fluxo de mercadorias estrangeiras reflete o comportamento do consumidor nacional diante das recentes alterações na política tributária aplicada às importações, marcando um novo capítulo na balança comercial do Brasil.

A marca histórica registrada em 20/07/2026, baseada nos dados de junho, ganha contornos de relevância ao superar períodos anteriores, perdendo apenas para os registros observados no bimestre de abril e maio de 2024, que somaram R$ 2,69 bilhões, e o recorde de junho e julho de 2024, com R$ 3,13 bilhões. O cenário atual foi impulsionado pela decisão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assinou uma medida provisória zerando a alíquota federal de importação sobre compras de até US$ 50, medida que entrou em vigor na metade inicial de maio de 2026.

O Programa Remessa Conforme, que centraliza estas operações, exige que as empresas realizem o recolhimento antecipado de impostos estaduais. Essa agilidade processual, que permite ao Fisco liberar a carga com maior rapidez, tem sido um fator determinante para a experiência do consumidor final, que recebe seus itens com menor tempo de espera.

Resistência do setor privado

Apesar da recepção positiva pelo público consumidor, a política gerou forte oposição no Congresso Nacional e entre entidades de classe. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), junto a outras organizações, manifestou preocupação com a isonomia competitiva. Em manifesto, o setor argumenta que a desoneração amplia o desequilíbrio entre empresas brasileiras, sujeitas a um complexo arcabouço fiscal, trabalhista e ambiental, e plataformas estrangeiras que operam com custos operacionais reduzidos.

Para os empresários, a medida representa uma concorrência desleal que ameaça a manutenção de empregos no Brasil. O argumento central das entidades é de que o desenvolvimento nacional depende de regras equivalentes para todos os agentes econômicos, sintetizando a demanda na frase: 'Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro'.

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