MERCADO EM ALERTA
Ibovespa sofre com tempestade perfeita e perde força para superar 200 mil pontos
Ibovespa registra pior desempenho mensal desde 2023, afetado por juros, cenário fiscal e saída de investidores estrangeiros. Analista aponta combinação de fatores.
O Ibovespa encerrou sua sétima semana consecutiva em queda, acumulando o pior desempenho mensal registrado desde 2023. Essa correção acentuada no principal índice da bolsa brasileira é motivada pela saída expressiva de investidores estrangeiros, o que intensifica a pressão sobre o mercado acionário do país. De acordo com a analista do CNN Money, Lucinda Pinto, o cenário atual não se deve a um único fator, mas sim a uma convergência de eventos que têm gerado preocupação entre os investidores. Em declaração, ela observou que "as coisas pioraram em uma semana de um jeito impressionante". Entre os elementos que mais pressionam o mercado, Lucinda Pinto destacou a percepção de que o espaço para novos cortes na taxa de juros diminuiu consideravelmente. Ela mencionou que "tem gente falando que não existe mais espaço para corte de juros, e quando você olha para a curva, existe até uma precificação modesta de algum aumento". Embora nenhum especialista defenda uma alta da Selic, a mudança nessas expectativas já penaliza a bolsa. A questão fiscal também permanece como um ponto de atenção. A analista citou um estudo da XP que estima estímulos fiscais na ordem de R$ 200 bilhões, parte deles fora do orçamento oficial. "Isso é uma pressão adicional para o mercado", avaliou Pinto. Nesse contexto, empresas com maior endividamento tendem a ser as mais afetadas, enfrentando um custo de financiamento mais alto e a necessidade de renegociar seus passivos. A retirada de investidores estrangeiros da bolsa brasileira também contribuiu para o enfraquecimento do índice. No início do ano, o Brasil era visto como uma alternativa para diversificar investimentos em relação às ações de tecnologia dos Estados Unidos, além de se beneficiar de sua posição como exportador de petróleo e de sua distância de focos de tensão geopolítica. Contudo, esse cenário mudou. "Parece que aquela discussão de bolha de inteligência artificial acabou, e o investidor estrangeiro que estava vindo para o Brasil buscando uma alternativa voltaria em tese para esse setor", explicou Lucinda. Ela acrescentou que o ganho fiscal esperado com a alta do petróleo não se materializou conforme projetado. "Tudo que a gente parece que ganharia do ponto de vista fiscal com a alta do petróleo está sendo gasto. O governo está usando ou para diminuir o impacto do aumento do petróleo ou para outras coisas", afirmou. Como consequência, tanto as blue chips quanto as ações ligadas ao ciclo doméstico sentiram maior pressão. O ambiente político também elevou a cautela dos investidores. Segundo Lucinda, recentes episódios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e a proximidade do calendário eleitoral aumentaram as incertezas sobre a disputa presidencial de 2026. "O mercado está olhando para a eleição realmente como algo bem difícil de prever", disse. Com isso, a janela de oportunidade que alguns analistas anteviam no começo do ano, quando o Ibovespa se aproximou dos 200 mil pontos, parece ter se fechado. "A festa realmente parece ter acabado muito antes do brasileiro ter oportunidade de aproveitá-la", concluiu a analista. Para o futuro, Lucinda Pinto projeta um cenário marcado por inflação elevada, atividade econômica mais fraca e juros altos em âmbito internacional, o que deve encarecer o crédito e reforçar a demanda por disciplina fiscal, independentemente do resultado das próximas eleições.
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