MERCADO AQUECIDO

IBGE revela queda no desemprego de longo prazo

Trabalhadores da Coteminas reunidos para buscar soluções. Ilustra o esforço de milhões de brasileiros no mercado de trabalho.
Trabalhadores da Coteminas reunidos em 3 de julho de 2023. A busca por trabalho reflete a realidade de milhões de brasileiros. (Reprodução/Sintrafite)

Número de brasileiros buscando trabalho por mais de 2 anos recua 21,7%, para 1,1 milhão no 1º trimestre de 2026. A taxa geral atinge 6,1%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, dados que revelam uma queda significativa no número de brasileiros em busca de trabalho, especialmente aqueles desocupados há mais de dois anos. Este cenário, embora indique uma melhora disseminada no mercado de trabalho, também levanta questões sobre a participação da força de trabalho e o impacto real na vida de milhões de pessoas que sonham com um emprego digno.

No 1º trimestre de 2026, 1,1 milhão de brasileiros procuravam emprego há 2 anos ou mais. Este contingente recuou 21,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando 1,4 milhão de pessoas estavam nessa condição. A diminuição da busca por emprego de longa duração significa, para muitos, a reconquista da autonomia e da esperança de um futuro mais estável.

A pesquisa também mostra uma redução no número de pessoas que buscavam trabalho havia menos de 1 mês. Eram 1,4 milhão no 1º trimestre deste ano, uma queda de 14,7% ante 1,6 milhão registrado no mesmo trimestre de 2025. Essa rotatividade no mercado, segundo especialistas, é um indicativo de maior fluidez e oportunidades.

Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, os dados apontam para uma melhora disseminada do mercado de trabalho e uma maior facilidade para conseguir emprego. “A queda da população que estava em busca de trabalho por mais de 2 anos significa que o mercado melhorou de forma geral, enquanto a redução na parcela à procura por menos de 1 mês significa rotatividade”, afirmou.

A taxa de desemprego do país ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, a menor já registrada para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Este índice, embora positivo, não apaga as desigualdades sociais ainda presentes no acesso ao emprego.

Maior desocupação

Apesar da melhora geral, a taxa de desemprego entre as mulheres permaneceu em 7,3% no 1º trimestre de 2026, ainda acima da registrada entre os homens, que foi de 5,1%. Essa disparidade revela os desafios persistentes que as mulheres enfrentam para se inserir plenamente e de forma igualitária no mercado de trabalho.

O indicador também permanece desigual entre os grupos raciais. Entre os trabalhadores brancos, a taxa de desocupação ficou em 4,9%, abaixo da média nacional. Já entre pessoas pretas, o índice alcançou 7,6%, enquanto entre pessoas pardas ficou em 6,8%. Esses números evidenciam a necessidade contínua de políticas de inclusão e equidade.

Escolaridade

A relação entre escolaridade e empregabilidade continua evidente. As pessoas com ensino médio incompleto registraram a maior taxa de desemprego do país: 10,8%. Entre aqueles com ensino superior incompleto, a taxa ficou em 7,0%, quase o dobro da observada para quem concluiu a graduação, de 3,7%.

Esses dados reforçam a importância do investimento em educação como um pilar fundamental para a dignidade e a inserção plena no mercado de trabalho, permitindo que mais brasileiros construam um futuro com mais oportunidades e segurança. A luta por um emprego é, muitas vezes, a luta por uma vida melhor.

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