INFLAÇÃO NO PRATO

IBGE revela: Alimentos disparam e pressionam orçamento em abril

IPCA: Inflação desacelera para 0,67% em abril, com alimentos sendo o maior impacto.
IPCA: inflação desacelera para 0,67% em abril — Foto: Celso Tavares/g1

Alta de 1,34% no grupo Alimentação e Bebidas foi o maior impacto na inflação de 0,67% em abril de 2026.

O custo de vida dos brasileiros sentiu um alívio parcial em abril, mas os preços dos Alimentos continuam a pesar no orçamento familiar. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, revelam que a inflação geral, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou para 0,67% no mês. No entanto, o grupo Alimentação e Bebidas registrou alta expressiva de 1,34%, configurando o maior impacto no índice e pressionando o poder de compra da população.

Apesar de ser o principal vetor da inflação, o ritmo de aumento dos preços dos Alimentos em abril desacelerou ligeiramente em comparação a março, quando o grupo havia registrado uma alta de 1,56%. Essa variação, contudo, ainda representa um desafio significativo para as famílias na hora de encher a despensa.

Impacto no lar: o que mais pesou no bolso

Os Alimentos consumidos em casa foram os que mais impulsionaram a inflação em abril, com um aumento de 1,64%. Essa alta foi sentida diretamente no dia a dia, com produtos essenciais apresentando subidas notáveis. A Cenoura liderou o ranking com um salto de 26,63%, seguida pelo Leite longa vida (13,66%) e pela Cebola (11,76%). O Tomate (6,13%) e as Carnes (1,59%) também contribuíram para essa pressão sobre o orçamento doméstico.

Em contraste, alguns itens trouxeram um pequeno alívio para os consumidores. O Café moído registrou uma queda de 2,30%, e o Frango em pedaços ficou 2,14% mais barato. Esses recuos, embora pontuais, mostram que nem todos os produtos seguiram a tendência de alta.

A alimentação fora de casa teve um aumento mais contido, de 0,59%. O preço do lanche mostrou uma desaceleração, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. Já as refeições, por outro lado, tiveram uma leve aceleração, de 0,49% para 0,54% no mesmo período.

Tendências futuras e os fatores por trás da alta

Para os amantes do Café, a boa notícia é que a tendência é de continuidade na desaceleração dos preços ao longo de 2026. A expectativa de uma safra maior no Brasil promete aliviar o custo, embora especialistas apontem que o produto dificilmente retornará ao patamar de seis anos atrás.

Já o cenário para as Carnes bovinas é de alta persistente. O preço subiu impulsionado pela redução na quantidade de bovinos disponíveis para abate no campo, após um ano de produção recorde. Essa dinâmica sugere que a Carne continuará a ser um dos itens mais caros na mesa do brasileiro.

Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, explicou que a alta dos Alimentos em abril foi influenciada por dois fatores principais: a menor oferta de alguns produtos e o aumento do custo do transporte. Produtos como Cenoura, Cebola e Tomate tiveram uma oferta mais limitada, o que naturalmente elevou seus preços. Simultaneamente, a alta de 1,80% nos combustíveis, com o Diesel subindo 4,46%, encareceu o frete, já que grande parte da produção agrícola é transportada por caminhões movidos a Diesel.

“Os combustíveis sendo mais caros acabam influenciando o preço do frete. E, chegando no transporte, obviamente isso chega para o consumidor final no preço que ele vai pagar lá no balcão," ressaltou Gonçalves, destacando o elo entre o preço do Diesel e o custo final dos Alimentos.

Por outro lado, o aumento da oferta, impulsionado pelo avanço da colheita da Maçã, por exemplo, ajudou a reduzir a pressão sobre os preços desse e de outros itens, como o Café moído e o Frango em pedaços.

Alimentos que mais encareceram em abril

  • Cenoura: 26,63%
  • Morango: 17,35%
  • Pimentão: 14,1%
  • Melancia: 13,77%
  • Leite longa vida: 13,66%
  • Cebola: 11,76%
  • Melão: 10,38%
  • Repolho: 10,32%
  • Pepino: 8,11%
  • Peixe-anchova: 7,15%
  • Açaí (emulsão): 6,95%
  • Peixe-serra: 6,93%
  • Peito: 6,89%
  • Peixe-cavala: 6,88%
  • Coentro: 6,78%
  • Batata-inglesa: 6,57%
  • Manga: 6,3%
  • Tomate: 6,13%
  • Laranja-baía: 5,28%
  • Uva: 4,44%

Alimentos que mais baratearam em abril

  • Laranja-lima: -7,96%
  • Banana-maçã: -7,85%
  • Abobrinha: -7,36%
  • Inhame: -6,53%
  • Peixe-aruanã: -6,22%
  • Maracujá: -5,36%
  • Peixe-filhote: -3,72%
  • Leite de coco: -3,57%
  • Abacate: -3,56%
  • Maçã: -3,25%
  • Peixe-cação: -2,35%
  • Café moído: -2,3%
  • Mamão: -2,24%
  • Frango em pedaços: -2,14%
  • Doce de frutas em pasta: -2,06%
  • Banana-d'água: -2,01%
  • Carne de porco: -1,93%
  • Peixe-pintado: -1,85%
  • Peixe-sardinha: -1,79%
  • Mandioca (aipim): -1,62%

Cenário da inflação em abril

Em resumo, a inflação do mês subiu 0,67%, marcando uma desaceleração em relação a março, quando os preços haviam avançado 0,88%. No entanto, ao analisar os últimos 12 meses, a trajetória foi de aceleração: o IPCA passou de 4,14% acumulados até março para 4,39% em abril. Para efeito de comparação, no mesmo mês do ano passado, o IPCA registrou uma variação mensal de 0,43%.

Apesar dessa aceleração no acumulado de 12 meses, o índice permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com um limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta opera de forma contínua, acompanhando o cumprimento mensalmente com base na inflação acumulada em 12 meses.

O grupo Alimentação e Bebidas foi o que mais exerceu pressão sobre a inflação de abril, contribuindo sozinho com 0,29 ponto percentual para o IPCA. Em seguida, destacou-se Saúde e Cuidados Pessoais, com um impacto de 0,16 ponto percentual. Juntos, esses dois grupos concentraram a maior parte da alta dos preços no mês, sendo responsáveis por cerca de 67% do resultado total.

Distribuição da inflação por grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebida: 1,34%;
  • Habitação: 0,63%;
  • Artigos de residência: 0,65%;
  • Vestuário: 0,52%;
  • Transportes: 0,06%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,16%;
  • Despesas pessoais: 0,35%;
  • Educação: 0,06%;
  • Comunicação: 0,57%.

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