TECNOLOGIA NA SAÚDE

IA em dispositivos inteligentes promete prevenir doenças com monitoramento contínuo

Close-up de um relógio inteligente e um anel inteligente sobre uma superfície.
Dispositivos vestíveis como relógios e anéis inteligentes serão usados em novo projeto de IA para detecção precoce de doenças.

Projeto brasileiro une IA embarcada em relógios e anéis a monitoramento 24h para detectar Parkinson, problemas cardíacos e outros males antes dos sintomas. Objetivo é antecipar diagnósticos e melhorar qualidade de vida.

A medicina preventiva está prestes a dar um novo salto tecnológico. Agora, o uso de dispositivos vestíveis, como relógios e anéis inteligentes, promete ajudar na detecção precoce de condições clínicas graves. Os principais focos estão na doença de Parkinson e em distúrbios cardíacos.

O novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) Viva Bem, uma cooperação entre Fapesp, Unicamp e Samsung, foca no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) capaz de identificar "sinais invisíveis" de doenças muito antes que os sintomas se tornem evidentes. A iniciativa, anunciada nesta quarta-feira, 08/07/2026, foi decidida em conjunto pelas instituições parceiras para impulsionar a saúde digital no Brasil.

Diferente da medicina tradicional, que geralmente se baseia em dados coletados durante consultas pontuais ou os famosos "check-ups" anuais, a IA em dispositivos vestíveis permite um monitoramento 24 horas por dia, sete dias por semana. A coleta contínua de dados durante a rotina normal do usuário revela padrões que uma consulta médica de 15 minutos poderia gerar, com impacto direto na dignidade e qualidade de vida dos cidadãos ao possibilitar intervenções precoces.

O diferencial tecnológico das pesquisas brasileiras é o foco em IA embarcada, o que significa que os algoritmos rodam diretamente do relógio ou anel. Isso permite o processamento de dados em tempo real e de forma eficiente, sem depender constantemente de conexões externas, garantindo maior privacidade e agilidade na identificação de potenciais riscos.

As "frentes de ataque" da IA na saúde

A proposta envolve o processamento simultâneo de dados de diversos sensores que já equipam os aparelhos, como frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura, movimentos e condutividade elétrica da pele.

"Queremos, por meio desses dispositivos vestíveis cada vez mais populares e acessíveis, enxergar sinais invisíveis de doenças muito antes que os sintomas se tornem clinicamente evidentes", disse Anderson Rocha, professor do Instituto de Computação da Unicamp e coordenador do Viva Bem. A decisão de focar nesses avanços visa democratizar o acesso à saúde preventiva de ponta.

Conceito de "corpo único" e os dados sensíveis

Para evitar diagnósticos genéricos, o sistema é treinado sob a premissa de que cada corpo é único. Em vez de comparar o usuário apenas com padrões médios da população, a IA aprende a variabilidade individual de cada pessoa, garantindo um cuidado mais personalizado e eficaz.

Além disso, o centro adota a diretriz de explicabilidade, o que obriga a IA a explicar os motivos técnicos de um alerta. Segundo a pesquisa, isso garante que o médico tenha segurança na tomada de decisão clínica, respeitando a autonomia profissional.

Quanto à segurança, por se tratar de dados de saúde, o projeto segue protocolos rígidos de privacidade e ética para evitar vazamentos que poderiam causar discriminação ou constrangimento, protegendo a intimidade dos indivíduos.

Protagonismo brasileiro

Com um investimento inicial de R$ 20 milhões, o projeto envolve mais de 70 pesquisadores da Unicamp e especialistas da Samsung. De acordo com a marca, três das quatro tecnologias principais presentes no seu próximo lançamento de smartwatch foram desenvolvidas pela equipe de pesquisa no Brasil, demonstrando o potencial nacional em inovação.

O objetivo final, segundo os coordenadores, não é substituir o médico, mas fornecer ao usuário a informação necessária para procurar um especialista no momento ideal, o que pode melhorar a qualidade de vida por meio da antecipação. A decisão reforça o papel da tecnologia como aliada da saúde pública.

*Com informações da Agência Fapesp

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