CRIME CONTRA SAÚDE
Mercado clandestino de canetas emagrecedoras dispara no Distrito Federal
Apreensões de medicamentos irregulares crescem 1.322% em 2026. Receita Federal e Vigilância Sanitária alertam para graves riscos à vida do consumidor.
O mercado clandestino de canetas emagrecedoras intensificou sua presença no Distrito Federal, expondo consumidores a riscos graves à saúde. A Receita Federal e a Vigilância Sanitária intensificaram as fiscalizações diante de um aumento alarmante de 1.322% no volume de unidades apreendidas nos cinco primeiros meses deste ano, comparado a todo o exercício de 2025.
Os dados, que revelam a apreensão de 1.636 unidades avaliadas em R$ 1,35 milhão até maio, evidenciam que o Distrito Federal se tornou uma rota estratégica para o contrabando. A maior parte dos produtos, predominantemente à base de tirzepatida, entra no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Brasília vinda do Paraguai, sem qualquer autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A gravidade da situação reside na vulnerabilidade de quem busca o emagrecimento sem o devido respaldo médico. Ao adquirir produtos em canais informais ou clínicas não autorizadas, o cidadão perde a garantia de procedência e eficácia, expondo-se a substâncias que podem estar contaminadas, falsificadas ou terem sua eficácia anulada pela quebra da cadeia de refrigeração.
Entre janeiro do ano passado e julho de 2026, a Vigilância Sanitária do Distrito Federal recolheu 4.919 unidades. Em declaração, Diego Bandeira, endocrinologista do Hospital de Base do Distrito Federal, reforça que a ausência de controle de qualidade torna o risco impossível de ser estimado. "O paciente pode aplicar um medicamento que não contenha o princípio ativo descrito ou que tenha sofrido degradação molecular por armazenamento incorreto", explica o médico.
O cenário é agravado pela sofisticação da rede criminosa. A Receita Federal aponta que a logística envolve desde a aquisição no exterior até a distribuição por farmácias e estabelecimentos irregulares. Com 3.374 notificações de eventos adversos registradas pela Anvisa até junho, a orientação das autoridades é clara: medicamentos de alta complexidade, como os análogos de GLP-1, devem ser adquiridos exclusivamente em drogarias autorizadas e com prescrição médica.
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