TRABALHO E LAZER

Hugo Motta defende jornada de 40 horas

Hugo Motta defende jornada de 40 horas

Proposta do governo para fim da escala 6x1 divide o setor de turismo, que teme custos e demissões.

Um acordo firmado entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, pavimenta o caminho para a aprovação de uma proposta que promete remodelar a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros. O texto, que Hugo Motta defende ser aprovado pela Casa até o final de maio, busca assegurar o descanso remunerado de dois dias por semana e reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, sem qualquer redução salarial.

Essa mudança, que implica o fim da escala 6x1, acende um debate acalorado sobre seu impacto direto na dignidade do trabalhador e na economia. Enquanto o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, projeta um cenário de crescimento para o setor, entidades privadas expressam profunda resistência e preocupação.

Gustavo Feliciano, durante sua participação na Corrida da Câmara neste domingo, 17 de maio de 2026, compartilhou sua visão otimista. "O turismo, que é a minha área, tem muito a crescer porque a gente pode ser um dos setores beneficiados com essa medida, tendo em vista que o trabalhador e a trabalhadora vão ter um dia a mais de descanso e lazer e, quem sabe assim, poder aproveitar o turismo e praticar mais turismo no nosso país", afirmou o ministro, apostando na elevação do bem-estar e na maior capacidade de consumo de lazer.

Contudo, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat), o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) e a Associação Brasileira de Parques e Atrações (ABPA) se posicionam veementemente contra a alteração. A avaliação do setor privado é categórica: o fim da escala 6x1 pode acarretar impactos significativos para toda a cadeia do turismo. Hotéis, restaurantes, resorts e parques temáticos enfrentariam riscos concretos de perda de empregos, aumento de custos operacionais e uma acentuada redução na competitividade.

Diante das divergências, Gustavo Feliciano reiterou que a real dimensão dos impactos só poderá ser mensurada após a aprovação integral do projeto. O ministro enfatizou a busca por um "entendimento" com os empresários do segmento, visando minimizar quaisquer efeitos adversos. "Só quando a gente tiver realmente o projeto inteiro, a gente vai ter o tamanho do impacto. A gente vai ver o que pode ser feito e assim buscar soluções para que esse impacto seja menor para nosso setor", explicou.

A expectativa é que o texto seja votado e aprovado pela Casa dos Deputados ainda em maio, delineando um futuro com mais tempo livre para o cidadão e novos desafios para a economia.

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