FÃ DO BRASIL

Haitiano que encontrou em Natal sua segunda casa enfrentará o Brasil na Copa

Peterson St Ulysse sorrindo, com um fundo desfocado que sugere um ambiente esportivo.
Peterson St Ulysse, haitiano de 31 anos, encontrou em Natal uma segunda casa e agora se prepara para um duelo emocionante na Copa do Mundo.

Peterson St Ulysse, que chegou ao Brasil após o terremoto de 2010 e se adaptou à cultura potiguar, torcerá pelo Haiti, mas exalta a trajetória de superação da seleção caribenha.

A jornada de Peterson St Ulysse, haitiano de 31 anos, com o Brasil transcende a próxima partida na Copa do Mundo. A conexão profunda com o país teve suas raízes em 2004, quando uma Missão das Nações Unidas (ONU), com participação militar brasileira, ofereceu apoio à população haitiana, período em que o Brasil coordenou o MINUSTAH, grupo de estabilização política no Haiti.

Essa influência cultural brasileira despertou em Peterson um apreço pelos esportes, especialmente o futebol e o basquete. Um marco em sua vida foi o "jogo da paz" de 2004, no Estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe, quando a seleção brasileira enfrentou o Haiti. Peterson, mesmo sem ingresso, percorreu quilômetros para testemunhar a recepção calorosa ao Brasil e a presença de ídolos como Ronaldinho e Ronaldo, um momento que o marcou profundamente.

A decisão de Peterson vir para Natal, no final de 2015, foi motivada pelas complexas questões políticas em seu país, agravadas pelas consequências do terremoto de 2010. A capital potiguar foi escolhida por suas semelhanças sociais e climáticas com o Haiti. "É uma cidade parecida com Haiti em relação ao clima. E sobre a cultura também. É mais parecido do que estar no Sudeste ou no Sul. Então, por causa do clima. Aqui é um pouquinho quente, igual no Haiti", relatou.

Uma pesquisa da OIM Brasil, em 2022, estima que entre 150 mil e 200 mil haitianos residam no Brasil, tornando o país um dos principais destinos da diáspora haitiana, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

A adaptação de Peterson à cultura brasileira foi facilitada por sua vivência durante a missão da ONU. "Eu vivia mais no Brasil, quando eu estava no Haiti, do que viver próprio no Haiti. Então, eu passava o meu dia com os brasileiros. Passava o meu tempo falando português, comendo comida brasileira. Então, já tinha uma adaptação antes de vir para cá", explicou, ressaltando a receptividade do povo natalense como um fator adicional.

Atualmente, Peterson atua como professor de inglês e, no passado, dedicou-se ao turismo potiguar como intérprete, demonstrando fluência em cinco idiomas. Nas horas de lazer, o haitiano radicado em Natal mantém o hobby de jogar basquete com amigos.

Copa do Mundo de 2026: um reencontro especial

O Haiti retorna à Copa do Mundo após 52 anos, ostentando o apelido de Grenadiers, em homenagem aos soldados da Revolução Haitiana. A seleção caribenha, que nunca conquistou um empate em quatro participações, enfrenta o Brasil no grupo C. A última partida foi uma derrota por 1 a 0 contra a Escócia.

Durante os períodos longe da Copa, a população haitiana sempre demonstrou forte apoio à seleção brasileira. Peterson, fã de Ronaldo e Ronaldinho, via as Copas como momentos sagrados. "Na Copa 2002, eu assisti os dois gols do Ronaldo na TV. Então, tipo assim, o que a gente entendia do Brasil era duas palavras, futebol e café", relembrou.

Nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, Brasil e Haiti se enfrentam no Philadelphia Stadium, na Filadélfia. O Brasil busca a vitória após um empate de 1 a 1 contra Marrocos. Para Peterson, o confronto carrega um significado único: torcer pelo Haiti, sua terra natal, mas sem deixar de lado o carinho pelo Brasil. "O resultado de hoje, na esperança de um 2x1 para o Haiti, né? A expectativa é essa, né? Mas muitos amigos falaram assim, ‘ei, Peter, você vai torcer pelo Haiti? Eu falei, claro, eu já torci demais pro Brasil".

Independentemente do resultado, a participação haitiana na Copa do Mundo representa uma vitória significativa. "Chegar uma Copa do Mundo já é uma superação. Por mais que a gente perca hoje, pra mim, a seleção provou que tem cultura de futebol e provou que o futebol é o esporte favorito do haitiano, do povo haitiano", concluiu.

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