ECONOMIA E SOCIEDADE
Haddad critica Milei e defende política econômica que preserva direitos sociais
Ex-ministro da Fazenda rebate Tarcísio e defende ajuste fiscal sem prejudicar os mais vulneráveis, citando Argentina como exemplo a não seguir.
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, as políticas econômicas adotadas pelo presidente da Argentina, Javier Milei. Durante sua participação no evento Veja Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, Haddad defendeu que o ajuste fiscal necessário para a saúde das contas públicas não deve penalizar os cidadãos de menor renda, ressaltando a importância de combinar responsabilidade fiscal com a garantia de direitos sociais.
Em resposta a questionamentos sobre a capacidade de governos do PT em reduzir gastos, Haddad argumentou que cortes de despesas não precisam ser sinônimo de prejuízo para a população mais vulnerável. "Você não precisa prejudicar os mais pobres para cortar gasto. Ao contrário, se você fizer isso, vai prejudicar a economia", declarou.
O petista citou o atual cenário argentino como um exemplo de abordagem que o Brasil deve evitar. "Essa mentalidade de achar que o Milei está certo com a serra elétrica dele. Olha o que está acontecendo com a Argentina. Não é coragem você ferrar o mais pobre. Isso não é coragem, isso é covardia", enfatizou.
Haddad explicou que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem como objetivo equilibrar as contas públicas sem sacrificar programas essenciais para a população de baixa renda. A estratégia envolve, segundo ele, o controle de despesas, a revisão de benefícios tributários e a manutenção de políticas sociais consideradas cruciais para o bem-estar dos cidadãos.
"O que nós estamos tentando mostrar é que é possível preservar direitos, sobretudo da população economicamente mais vulnerável, crescer mais e ajustar as contas simultaneamente", afirmou.
Ele também destacou que o gasto público federal, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), está atualmente menor do que no início do mandato de Lula, reforçando a busca por equilíbrio fiscal sem comprometer o crescimento econômico e a renda das famílias.
O ex-ministro também rebateu críticas feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre a política econômica do governo federal. Tarcísio havia sugerido que a administração Lula deixaria como legado uma "perda de oportunidade" para o país. Haddad contrapôs, defendendo que o Brasil tem expandido investimentos em áreas como transição ecológica, tecnologia e indústria, negando a ideia de desperdício de oportunidades econômicas.
"Ao contrário do que foi dito pelo Tarcísio aqui, não estamos perdendo nenhuma oportunidade", assegurou, mencionando o protagonismo brasileiro em energia limpa, biocombustíveis e mobilidade verde, além da atração de investimentos em inteligência artificial e processamento de minerais críticos.
Sobre o apelido de "Taxad"
Em relação ao apelido "Taxad", associado à cobrança sobre compras internacionais, Haddad esclareceu que a taxação teve origem em uma decisão coletiva e unânime dos governadores. O objetivo, segundo ele, era corrigir uma distorção tributária existente entre produtos importados e o varejo nacional. A medida, posteriormente, foi aprovada pelo Congresso Nacional.
"Essa é outra curiosidade, porque hoje quem está cobrando a taxa das blusinhas é o Tarcísio. Quem começou a cobrar a taxa das blusinhas foram os governadores. E posso falar uma coisa? Eu sou da opinião de que eles estão corretos ao analisar a desproporção entre o que o varejo pagava e o que vinha de importação. Tinha uma discrepância que os governadores tentaram corrigir por unanimidade. Não foi uma coisa partidária do PT, do PL, do União Brasil. Todo mundo sentou numa mesa e resolveu corrigir uma distorção", explicou.
Haddad criticou o excessivo foco dado a essa questão, defendendo que o debate público deveria se concentrar em temas econômicos de maior relevância para o país. "Então, de novo, nós vamos falar de fatos ou nós vamos fazer uma cortina de fumaça para ficar fazendo gracinha? Nós vamos falar de coisa séria, que é o emprego, que é concorrência leal, que é como o Brasil se posiciona diante das múltiplas ameaças que existem no mundo hoje em função da guerra comercial, ou nós vamos ficar fazendo brincadeirinha na rede social? Não sei como a gente quer se dar o respeito como país", concluiu.
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