DE RESÍDUO À RECEITA

H2A Bioenergia lidera avanço do biometano no agro

H2A Bioenergia lidera avanço do biometano no agro

Com investimento de R$ 2,9 bilhões, 22 novas usinas geram energia limpa e renda. Primeira planta da América Latina já opera em SC.

A H2A Bioenergia, empresa líder na implantação de plantas de biogás e biometano no país, anunciou um investimento de R$ 2,9 bilhões para os próximos cinco anos, destinado à construção de 22 novas usinas de biometano. Esta iniciativa, revelada nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, promete redefinir o agronegócio brasileiro, transformando resíduos orgânicos em uma valiosa fonte de combustível renovável e gerando renda adicional para produtores rurais, ao mesmo tempo em que impulsiona a descarbonização e a busca pela autonomia energética do Brasil.

“Esta é a terceira safra do agro brasileiro”, afirma Adilson Teixeira Lima, diretor-presidente da H2A Bioenergia. Ele explica que resíduos, antes considerados meros passivos ambientais, agora se convertem em uma significativa fonte de receita para propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias.

Em entrevista à CNN Agro, Lima ressaltou o impacto direto: “Aquilo que antes gerava custo para o produtor, agora passa a gerar faturamento. O dejeto vira receita”.

O modelo de negócio da H2A Bioenergia baseia-se na biodigestão de resíduos orgânicos. Dejetos de suínos, bovinos e aves, subprodutos da indústria alimentícia, e até mesmo silagem de milho e sorgo, tornam-se matéria-prima para a produção de biogás, extraídos de granjas, confinamentos, frigoríficos e outras agroindústrias.

Após um processo de purificação, esse biogás é convertido em biometano, um combustível renovável que apresenta características energéticas análogas às do gás natural fóssil.

Participação Essencial do Produtor Rural

Fundada em 2013, a H2A Bioenergia já fez história ao inaugurar, em Campos Novos (SC), a primeira usina de biometano da América Latina certificada pela ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis para a produção a partir de dejetos suínos.

Esta planta pioneira, resultado de uma parceria com a Copercampos e um investimento de R$ 65 milhões, transforma eficazmente os resíduos da suinocultura local em combustível renovável, reforçando a oferta de energia limpa e a agenda de descarbonização do agronegócio do Brasil.

Em um movimento de expansão ambiciosa, 22 novas plantas estão atualmente em fase de implantação no país, representando o investimento total de R$ 2,9 bilhões previsto para os próximos cinco anos.

A H2A Bioenergia adota um modelo de negócio onde a empresa assume os investimentos, a operação das usinas e a comercialização dos subprodutos. Em contrapartida, produtores rurais e cooperativas participam fornecendo os resíduos orgânicos e disponibilizando as áreas para a instalação das unidades.

Essa parceria estratégica garante aos envolvidos participação na receita gerada pelos projetos, criando um ciclo virtuoso de sustentabilidade e lucratividade.

Para propriedades de maior porte, a companhia estima que a remuneração mensal pode ultrapassar R$ 100 mil, um valor que varia conforme o volume de resíduos orgânicos processados.

As plantas atualmente em implantação prometem uma capacidade diária de produção de aproximadamente 800 mil metros cúbicos de biometano, além de cerca de 700 toneladas de CO₂ com padrão alimentício.

Mesmo com esse volume expressivo, o executivo destaca que a produção atual representa apenas uma fração do vasto potencial do Brasil.

Adilson Teixeira Lima enfatiza: “O Brasil tem capacidade para ser autossuficiente em gás natural usando apenas resíduos do agro”.

Além dos resíduos agropecuários, o setor expande seu olhar para oportunidades no aproveitamento de resíduos sólidos urbanos e aterros sanitários, indicando um horizonte ainda mais amplo para o biometano.

O diretor-presidente também avalia que a crescente expansão do biometano pode catalisar um processo de interiorização industrial no Brasil.

Atualmente, a maior parte da infraestrutura de gás natural está concentrada na faixa litorânea do país, enquanto a produção agropecuária e, consequentemente, a disponibilidade de biomassa, avançam predominantemente para o interior.

Segundo Adilson, a extensão das redes de distribuição de gás para regiões como o Centro-Oeste e o Sul do país tem o potencial de atrair novas indústrias para essas áreas produtoras. Isso não apenas reduzirá custos logísticos, mas também fortalecerá significativamente as cadeias locais de transformação.

O transporte pesado configura-se como outro mercado estratégico para a H2A Bioenergia.

Com a conversão de frotas de caminhões para operar com gás natural e biometano, empresas do setor vislumbram uma substituição gradual e eficiente do diesel, com benefícios ambientais e econômicos.

As estimativas da companhia indicam que o uso do biometano pode gerar uma economia de até 50% nos custos de combustível para as complexas operações logísticas do agronegócio.

Impulso à Descarbonização e Autonomia Energética

O robusto crescimento do setor de biometano coincide com o avanço das políticas de descarbonização no Brasil e a busca incessante da indústria por fontes energéticas mais limpas e renováveis.

Segundo Adilson, o mercado brasileiro de biogás vivencia sua "terceira geração". A primeira, nos anos 1990, foi impulsionada pelos créditos de carbono. A segunda se focou na geração de energia elétrica a partir do biogás. Agora, o grande avanço reside na purificação do combustível para a produção de biometano.

A expectativa é de uma forte expansão para o setor nos próximos anos, um cenário impulsionado também pelas importantes discussões regulatórias em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"O Brasil tem potencial para substituir parte importante do gás natural fóssil pelo biometano produzido dentro do agronegócio”, conclui Adilson Teixeira Lima, visualizando um futuro mais verde e autônomo para o país.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário