CUSTO DA GUERRA
Guerra no Oriente Médio impõe custo aéreo recorde aos EUA, revela relatório
Ao menos 42 aeronaves americanas perdidas em 40 dias de conflito contra o Irã. Relatório do Congresso dos EUA aponta para falta de transparência e custos bilionários, reavivando debates sobre vulnerabilidade de drones.
O conflito de 40 dias entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã já registra o maior custo para a aviação militar americana desde a Guerra do Golfo, em 1991. Um relatório preliminar do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA (CRS) indica que, desde o início das hostilidades em 28 de fevereiro, pelo menos 42 aeronaves americanas foram perdidas.
Divulgado em 13 de maio, o documento adverte o Departamento de Defesa sobre a carência de transparência acerca dos custos e danos da operação. O Pentágono não se pronunciou oficialmente sobre os números nem confirmou as perdas detalhadas pelo relatório.

Segundo o CRS, os prejuízos com aeronaves abatidas, destruídas em acidentes ou vítimas de fogo amigo totalizam US$ 2,6 bilhões, aproximadamente R$ 13,15 bilhões. O custo total estimado da guerra pode ter chegado a US$ 29 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 147 bilhões.
Os drones MQ-9 Reaper, essenciais para vigilância e ataque remoto, foram particularmente afetados. Dos equipamentos em uso, 24 foram abatidos, representando 10,6% da frota operacional do modelo. Cada unidade, com sistemas de solo e comunicação via satélite, custa cerca de US$ 56 milhões.
A velocidade das perdas é notável: em média, os EUA perderam 1,07 aeronave por dia neste conflito, um índice similar ao da Guerra do Golfo, que registrou 75 perdas em 43 dias. Em contraste, a invasão do Iraque em 2003 resultou na perda de apenas três aeronaves em 26 dias de campanha ativa.
O relatório sugere que a alta taxa de baixas reflete um ambiente aéreo mais hostil e disputado tecnologicamente, além da capacidade iraniana de atingir bases americanas no Oriente Médio. A situação reacende o debate sobre a vulnerabilidade de drones de grande porte na guerra moderna.
Apesar de sua importância estratégica para monitorar vastas áreas, drones americanos mostram-se cada vez mais expostos em combates intensos, como observado na guerra da Ucrânia. O próprio CRS alerta que um confronto no Pacífico contra a China poderia gerar perdas ainda mais rápidas.
Equipamentos estratégicos também foram atingidos. A Marinha dos EUA perdeu um drone naval MQ-4C Triton, avaliado em US$ 240 milhões, em circunstâncias não esclarecidas. Apenas 16 unidades deste modelo estariam em operação, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres.
Outro incidente relevante foi a destruição em solo de um Boeing E-3 Sentry, aeronave-radar da força aérea americana, da qual apenas 16 aviões permanecem ativos.
Caças tripulados também sofreram baixas. O relatório menciona a derrubada de aeronaves F-15E, um avião de ataque A-10 e danos a um caça furtivo F-35A, cuja situação exata ainda é incerta.
O único incidente com mortes confirmadas de militares americanos ocorreu após a colisão de dois aviões-tanque KC-135 sobre o Iraque, resultando em seis tripulantes falecidos.
Por parte do Irã, as perdas exatas permanecem incertas. Autoridades americanas indicam que a força aérea iraniana foi severamente afetada, embora faltem dados independentes. O país opera majoritariamente aeronaves antigas, impactadas por décadas de sanções internacionais.
Paralelamente ao conflito, a crise diplomática envolvendo Israel se intensificou. O Itamaraty convocou a encarregada de negócios israelense em Brasília, Rasha Athamni, após a divulgação de imagens de ativistas pró-Gaza detidos com as mãos amarradas, durante a interceptação de uma flotilha no Mediterrâneo. Quatro brasileiros estavam entre os detidos. O governo brasileiro classificou o tratamento como 'degradante' e exigiu a libertação imediata dos envolvidos, aumentando o desgaste diplomático entre o Brasil e Israel.
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