CHOQUE DO PETRÓLEO
Guerra no Irã impulsiona maior uso de fósseis e renováveis globalmente, aponta XP
Relatório da XP revela que países buscam segurança energética através de fontes fósseis menos arriscadas e investimentos em energia limpa para mitigar impactos do conflito.
A contínua guerra entre Estados Unidos e Irã está gerando impactos econômicos diretos na economia global, especialmente no setor de combustíveis, com o fechamento do Estreito de Ormuz precipitando um novo choque do petróleo. Nesta quarta-feira, 20/05/2026, um relatório da XP, obtido em primeira mão pela CNN, destaca que o cenário atual coloca a segurança energética no centro do debate, levando os países a adotarem duas rotas estratégicas para se protegerem dos efeitos do conflito.
"Observamos duas rotas principais: garantir oferta de combustível fóssil com menor risco e o investimento em energia limpa, descarbonização, algumas agendas quando pensamentos em transição energética. Essas duas rotas não são excludentes, pelo contrário, muitas vezes coexistem por parte da estratégia dos países", explicou à CNN Marcella Ungaretti, head de Research ESG da XP.
No que tange à energia limpa, quatro pilares sustentam a aceleração dessa estratégia: renováveis, eletrificação, baterias e biocombustíveis. Segundo Ungaretti, a transição energética encontra-se mais avançada hoje do que em choques passados, com maior maturidade e competitividade de soluções de baixo carbono.
Por outro lado, a XP aponta que empresas antes consideradas líderes em investimentos de baixo carbono, como Shell e BP, recentemente reduziram iniciativas em energia limpa, redirecionando o foco para a produção de óleo e gás. Luiza Aguiar, analista de Research ESG da XP, complementa que, paralelamente a esse recuo, há um movimento para que a exploração de petróleo seja feita com maior eficiência e menores emissões, utilizando tecnologias emergentes como captura de carbono e abatimento de metano.
O Brasil, segundo a XP, beneficia-se de um elevado grau de autossuficiência energética e de sua posição como grande exportador líquido de petróleo bruto. A equipe de economia da instituição avalia que, caso as tensões geopolíticas persistam e os preços do petróleo permaneçam altos, essa condição de exportador tende a sustentar o saldo comercial, apoiar a moeda e amortecer pressões inflacionárias importadas.
Regis Cardoso, head de Óleo, Gás e Petroquímicos do Research da XP, ressalta a importância econômica do setor, afirmando que a ausência da indústria de óleo e gás no Brasil representaria uma perda de oportunidade de cerca de R$ 300 bilhões por ano. Essa riqueza adicional, gerada pelo setor, manifesta-se nas contas públicas e em preços de combustíveis menos voláteis em comparação com outros países.
No entanto, o cenário pode mudar nos próximos anos. O Brasil pode se tornar mais importador da commodity a partir de 2030, em virtude da maturação dos campos do pré-sal. Cardoso alerta que o desafio para manter a produção reside na realização de novas descobertas, após o sucesso do pré-sal há cerca de 20 anos. O declínio da produção consolidada brasileira, previsto para o início da próxima década, e a consequente perda para a economia, pode ser suplantado pelo desenvolvimento de nova produção, especialmente no Campo de Búzios, que ainda tem implantação de grandes plataformas.
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