CONFLITO SE ARRASTA

Guerra na Ucrânia já dura mais que a Primeira Guerra Mundial, com 1.570 dias de duração

Soldado em meio ao conflito na Ucrânia.
Soldado em meio ao conflito na Ucrânia.

A atual guerra na Ucrânia ultrapassou a marca de 1.570 dias nesta sexta-feira (12/6/2026), superando o tempo total da Primeira Guerra Mundial, embora com dinâmicas e baixas diferentes.

Em 24 de fevereiro de 2022, quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia, a expectativa era de uma vitória rápida. No entanto, a resistência ucraniana frustrou os planos iniciais, forçando o recuo das tropas russas de Kiev e concentrando o conflito na região do Donbass, no leste ucraniano. Nesta sexta-feira, 12/06/2026, a guerra completa 1.570 dias, superando a duração da Primeira Guerra Mundial.

A dinâmica atual, caracterizada por um front estagnado e pela busca por desgastar o inimigo através de perdas materiais e de pessoal, é classificada por especialistas como uma "guerra de exaustão". Essa abordagem, que lembra a Primeira Guerra Mundial, ganha novas dimensões com o uso extensivo de drones por ambos os lados a partir do verão europeu de 2023.

O uso de drones transformou radicalmente a guerra na Ucrânia. Unidades na linha de frente foram forçadas a cavar trincheiras e se proteger em esconderijos subterrâneos. O combate direto entre soldados e o uso de tanques tornaram-se raros, dando lugar a "killzones" – áreas de até 20 a 25 quilômetros de largura onde a sobrevivência é impossível devido ao monitoramento constante. Essa evolução tecnológica, embora com drones, evoca a introdução de novas armas como aviões e tanques na Primeira Guerra Mundial.

Apesar das semelhanças táticas, a guerra na Ucrânia difere em escala. Os contingentes militares são significativamente menores, e as baixas, embora elevadas, não se comparam aos milhões de mortos na Primeira Guerra Mundial. Historiadores, como Christopher Clark, autor de "The sleepwalkers: How Europe went to war in 1914", alertam para cautela nas comparações, destacando que o conflito de 1914 foi desencadeado por um assassinato, enquanto a invasão da Ucrânia pode ter motivações mais ligadas a narrativas do século 19, como a visão expansionista de Vladimir Putin sobre a Ucrânia como território russo.

As consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia transcendem as fronteiras dos envolvidos. Analistas, como Markus Kaim, do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), apontam que Putin enxerga o conflito como uma guerra por procuração contra o Ocidente. Assim como o conflito de mais de cem anos atrás, a guerra na Ucrânia já impacta a geopolítica europeia, com o ingresso de novos países na Otan e o aumento dos gastos com defesa. Com negociações de paz paralisadas, o fim do conflito não é vislumbrado no horizonte.

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