ESCALADA DO CONFLITO

Guerra de drones entre Ucrânia e Rússia atinge civis e redefine conflito

Casa destruída após ataque aéreo em Zaporizhzhia
Moradores observam casa destruída em Zaporizhzhia, Ucrânia. Foto: AP Photo/Kateryna Klochko.

Relatório do CSIS aponta que ataques aéreos tornaram-se a principal estratégia para forçar acordos, elevando em 60% as mortes de civis por armas de longo alcance.

A estratégia militar na guerra entre Ucrânia e Rússia mudou drasticamente, consolidando o uso de drones e mísseis como o principal vetor de combate. A mudança foi formalizada conforme o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) identificou uma corrida aérea para infligir danos simbólicos e materiais, uma vez que a frente terrestre permanece estagnada. O impacto humanitário desse novo cenário é devastador. Segundo a Ocha, os ataques aéreos elevaram o número de vítimas civis de forma alarmante: na primeira metade de 2026, 1,4 mil pessoas morreram e outras oito mil ficaram feridas na Ucrânia apenas por bombardeios russos. Este dado representa um aumento de 34% em relação ao mesmo período de 2025 e 114% comparado a 2024. A letalidade de drones e mísseis atingiu um patamar crítico, sendo responsáveis por 80% das baixas na linha de frente e uma alta de 60% nas mortes de civis causadas especificamente por armas de longo alcance. Para o cidadão comum, a guerra deixou de ser uma ameaça distante nas trincheiras para tornar-se uma realidade em praias, feiras e áreas residenciais. A transição para o que especialistas classificam como a primeira grande guerra de drones do século XXI ocorreu devido à escala industrial de produção adotada por ambos os lados. Enquanto a Rússia utiliza drones como o Shaheds, a Ucrânia investiu em autonomia tecnológica e inteligência artificial para sustentar seus ataques, que passaram a visar inclusive centros logísticos e econômicos em território russo, como instalações da Wildberries. Apesar da intensificação, não há perspectiva de encerramento do conflito a curto prazo. O CSIS aponta que essas trocas de ataques em regiões profundas são, atualmente, as linhas de combate com maior probabilidade de forçar um acordo diplomático nos próximos seis meses.

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