PODER IRANIANO EM FOCO
Grupo militar que comanda o Irã tem histórico de posições linha-dura
Comandantes veteranos da Guarda Revolucionária moldam o futuro do país, com raízes profundas na guerra e na repressão.
O futuro do Irã está sendo moldado por um seleto grupo de comandantes seniores, atuais ou antigos, da Guarda Revolucionária. Essa poderosa "irmandade", forjada na guerra de oito anos entre Irã e Iraque na década de 1980, comanda o país com mão de ferro e posições linha-dura. A decisão de quem lidera e como o país opera em tempos de crise não emana de um único indivíduo, mas de um círculo restrito que ascendeu aos mais altos escalões do poder.
Esses homens, promovidos a generais ainda na casa dos 20 e 30 anos, acreditam que o Irã deve trilhar seu próprio caminho, custe o que custar, uma convicção nascida do apoio ocidental ao Iraque durante o conflito. Após a guerra, assumiram o controle dos serviços de inteligência e segurança, muitos deles com laços pessoais com Mojtaba Khamenei, que dirigiu o gabinete de seu pai por anos. Essa proximidade fortalece a influência do grupo na tomada de decisões.
O impacto dessas decisões na dignidade do indivíduo e na sociedade iraniana é profundo. Suas carreiras estão marcadas pela defesa de métodos severos e pela perpetuação da Revolução Islâmica, o que se reflete na repressão à dissidência. Mesmo com a perda de líderes de alto escalão devido à guerra, o regime se mantém firme, impulsionado pela unidade e rigidez desse grupo.
Apesar de possíveis disputas internas sobre o fim do conflito, que permanecem opacas, o medo de se tornarem alvos os mantém em discrição. Conheça algumas das figuras-chave:
- Mohammad Bagher Ghalibaf, 64 anos: Presidente do Parlamento, ex-comandante da Força Aérea da Guarda e chefe da polícia nacional. Conhecido por sua linha dura em manifestações e por tentativas de suavizar sua imagem pública, ele atua como uma ponte entre as elites política e militar.
- Ahmad Vahidi, 67 anos: Ex-oficial de inteligência e ministro da Defesa e do Interior. Como primeiro comandante da Força Quds, é suspeito de incorporar o terrorismo ao DNA de organizações como o Hezbollah, sendo associado a ataques como o da Amia em Buenos Aires e ao quartel da Força Aérea dos EUA em Dhahran.
- Gholam Hossein Mohseni-Ejei, 69 anos: Chefe do judiciário, com fama de juiz implacável que utiliza os tribunais para sufocar a dissidência. Ele foi fundamental na repressão ao Movimento Verde em 2009 e sofreu sanções dos EUA e da União Europeia.
- Hossein Taeb, 63 anos: Clérigo xiita que comandou a milícia Basij e operações de contrainteligência. Sua passagem pela inteligência da Guarda foi marcada pela repressão e pela prisão de cidadãos com dupla nacionalidade.
- Mohammad Ali Jafari, 68 anos: General de duas estrelas, ex-comandante da Guarda por mais de uma década. É creditado pelo desenvolvimento da "estratégia mosaico" de comando descentralizado.
- Mohammad Bagher Zolghadr, 72 anos: Vice-comandante da Guarda e ex-vice-ministro do Interior. Sua nomeação como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional visa garantir a união das forças político-militares do regime.
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