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Greening, doença que assusta citricultores, avança em lavouras brasileiras

Close-up de folhas de citros com sintomas de amarelecimento irregular, característicos da doença greening.
O greening, doença sem cura, impacta a produção de frutas cítricas no Brasil.

O greening, também conhecido como huanglongbing (HLB), já afeta quase metade das plantações de São Paulo e Triângulo Mineiro e se alastra para o Sul do Brasil, gerando preocupação nacional.

A preocupação com o greening, a devastadora doença que afeta os pomares de citros, aumentou nesta terça-feira, 09 de junho de 2026, com a confirmação de sua disseminação em novas áreas e o avanço em lavouras já atingidas. A decisão de alertar para o impacto da doença partiu de órgãos técnicos e de produtores, que observam um crescimento de 7,4% em um ano, atingindo 47,63% das plantações em São Paulo e no Triângulo Mineiro, segundo dados do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura). Essa expansão representa um risco iminente à fruticultura nacional, que movimenta bilhões de dólares, e afeta diretamente a dignidade e o sustento de milhares de famílias de agricultores brasileiros.

O que é o greening?

O greening, também conhecido como huanglongbing (HLB), é uma enfermidade causada por uma bactéria transmitida por um inseto minúsculo, o psilídeo Diaphorina citri. Com coloração branca acinzentada e manchas escuras nas asas, este vetor de apenas 2 a 3 milímetros é capaz de dizimar pomares inteiros. Identificado pela primeira vez no Brasil em 2004, em São Paulo, o greening já se espalhou por todas as regiões citrícolas paulistas, áreas de Minas Gerais e Paraná, e alcançou plantações na Argentina e Paraguai, na América do Sul, além de estender sua presença por quase toda a América Central, Caribe, México e Estados Unidos, na América do Norte.

Tanto a bactéria quanto o psilídeo se reproduzem em todos os tipos de citros, como laranjas, tangerinas, mexericas, limas-ácidas e limões. A gravidade da situação reside no fato de que os insetos infectados se alimentam de plantas sadias, disseminando a bactéria que se aloja nos vasos do floema, responsáveis pelo transporte de seiva. A rápida propagação afeta raízes, ramos, folhas e frutos, e quando os sintomas são visíveis, a bactéria já tomou conta de toda a planta, comprometendo sua vitalidade e a produção.

O Fundecitrus alerta que a poda de ramos sintomáticos é ineficaz e pode até agravar o problema. Ao invés de curar a planta, as novas brotações atraem o inseto vetor, que, ao se alimentar, adquire a bactéria e a espalha para outras árvores saudáveis, perpetuando o ciclo destrutivo da doença. A falta de cura e o alto custo de controle, que já ultrapassou US$ 2 bilhões nos EUA, evidenciam a magnitude do desafio enfrentado pelos citricultores.

Sintomas e combate à doença

Após a picada do psilídeo infectado, os sintomas do greening surgem em cerca de quatro meses nas folhas e podem se manifestar ao longo do ano. Uma planta já contaminada, mesmo sem apresentar sinais visíveis, pode ser fonte de infecção para outras. Os sinais característicos incluem folhas com amarelecimento irregular, frutos pequenos e deformados, amadurecimento desigual, queda de produtividade e, por fim, a morte gradual da árvore. O impacto econômico e social é devastador, comprometendo a segurança alimentar e a renda de comunidades que dependem da citricultura.

Para controlar a disseminação, a vistoria constante das árvores em busca de ovos ou insetos adultos é fundamental. A aquisição e transmissão da bactéria ocorrem rapidamente, mas o tempo de exposição e a fase de ninfa do psilídeo aumentam os riscos. A recomendação técnica é eliminar imediatamente as plantas com greening assim que identificadas e notificar o Fundecitrus. O combate à doença é regulamentado pela Portaria nº 317/2021 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pela Resolução nº 88/2021 da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), que exigem inspeção e eliminação de plantas doentes, além do controle rigoroso do psilídeo.

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