SEGURANÇA EM FOCO

Governo reformula sistema de alertas da Defesa Civil após invasão hacker

Tela de celular exibindo um alerta de emergência da Defesa Civil.
Alerta falso da Defesa Civil atingiu milhões de pessoas

Novas medidas visam impedir acesso externo e garantir autenticação robusta. Reformulação completa do sistema Idap prevê nova plataforma até o fim de julho, após disparo de falsos alertas.

O Ministério do Desenvolvimento Regional adotou medidas emergenciais para reformular a segurança do Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap), sistema oficial de alertas da Defesa Civil, após o disparo de falsos alertas de desastre para milhões de brasileiros. A decisão, tomada após a identificação de vulnerabilidades em 25/06/2026, busca restaurar a confiança pública e garantir a integridade das comunicações em situações de emergência, um tema de vital importância para a segurança individual e coletiva.

A reformulação foi motivada pela descoberta de que contas de agentes do Pará foram exploradas por hackers para disseminar mensagens falsas com conteúdo alarmista e sem fundamento, como "misantropia" e "ataque alienígena". O caso, investigado pela Polícia Federal, expôs a fragilidade do sistema e o potencial impacto na dignidade e na tranquilidade da população, que foi levada a acreditar em ameaças inexistentes.

Como primeira ação, o governo decidiu bloquear totalmente o acesso externo ao sistema Idap. Atualmente, apenas a Defesa Civil nacional pode acessar a plataforma, utilizando exclusivamente a rede interna do ministério. Essa medida impede o acesso indevido por meio de credenciais vazadas na Deep Web, protegendo a infraestrutura contra futuras invasões. A Diretoria de Tecnologia da Informação também implementou um novo fator de autenticação, exigindo a validação por meio de uma conta gov.br, o que dificulta o acesso não autorizado mesmo em caso de vazamento de senhas.

Em fase de implementação, a segunda etapa do plano prevê o restabelecimento controlado do acesso para as Defesas Civis estaduais. Elas voltarão a utilizar a plataforma por meio de uma rede privada virtual (VPN), vinculada à Defesa Civil nacional. As senhas de acesso deverão ser trocadas a cada seis meses, sem possibilidade de reutilização. A expectativa é que essa nova infraestrutura esteja totalmente implementada até esta quinta-feira, 25/06/2026.

Nos próximos dias, o envio de alertas do tipo Defesa Civil Alerta (DCA) exigirá uma segunda validação por celular no momento da emissão. Paralelamente, o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC) realizará testes de invasão para avaliar a robustez dos novos mecanismos de segurança. O objetivo é restringir o acesso à Defesa Civil com VPNs instaladas e usuários cadastrados, minimizando o risco de novas invasões.

Nova plataforma e validação institucional

A etapa final do plano contempla o lançamento de uma nova versão do Idap até o fim de julho. A plataforma oferecerá maior capacidade de rastreamento das operações e restrições adicionais em funcionalidades sensíveis, incluindo a limitação da edição livre de mensagens. Essa mudança visa reduzir o risco de disparo de alertas com textos impróprios, como os registrados entre 19/6 e 20/6.

Antes de operar, a nova versão passará por um processo de validação de segurança com a Secretaria de Governo Digital, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e equipes especializadas em guerra cibernética. Segundo o diretor substituto de Tecnologia da Informação, Henrique Kineipp, a expectativa é que as melhorias garantam uma solução mais segura, validada institucionalmente e adequada à operação continuada, evitando a repetição de invasões e mitigando erros humanos.

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