GASTO COM PUBLICIDADE
Governo Lula investe R$ 21 milhões em anúncios digitais até maio
Valor, referente a janeiro e maio de 2026, é quase o dobro do ano anterior. Campanhas destacaram obras, PAC e redução de impostos, e seguem até 4 de julho, conforme regras do TSE.
O governo Lula desembolsou cerca de R$ 21 milhões em anúncios no Instagram e no Facebook entre janeiro e meados de maio de 2026. Os dados são da biblioteca de anúncios da Meta. O valor representa quase o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando a gestão gastou R$ 11,45 milhões com publicidade nas plataformas. A decisão de investir em publicidade digital neste período visa promover as ações governamentais, informando a população sobre programas, obras e políticas públicas. Essa estratégia é crucial para manter a população informada e engajada, especialmente em um ano com calendário eleitoral, onde a comunicação eficaz pode impactar a percepção pública sobre a gestão.
Parte significativa dos anúncios, concentrados em estados com maiores colégios eleitorais como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, promoveu ações governamentais. Outras campanhas destacaram entregas no Rio Grande do Sul, afetado por enchentes históricas em 2024, e nos estados do Ceará e Pernambuco, buscando demonstrar o alcance e o impacto das políticas públicas em diferentes regiões do país.
O segundo maior investimento, aproximadamente R$ 3,3 milhões, foi destinado à divulgação do Novo PAC, principal programa de investimentos do terceiro mandato de Lula. Campanhas focadas na ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, beneficiando quem ganha até R$ 5 mil mensais, receberam cerca de R$ 2,85 milhões. Outro impulsionamento relevante, com cerca de R$ 2,1 milhões, foi para a proposta de fim da escala 6x1, que, segundo uma das peças publicitárias, pode beneficiar mais de 14 milhões de brasileiros caso aprovada pelo Congresso Nacional.
Investimentos também foram direcionados para campanhas sobre segurança pública, abordando o combate ao crime organizado e a exploração sexual infantil, além do endurecimento de penas. A gestão federal ainda gastou cerca de R$ 5,7 milhões em publicidade sobre medidas para reduzir os impactos da alta dos combustíveis, incentivando consumidores a denunciarem aumentos considerados abusivos.
O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, avalia que o crescimento dos gastos publicitários acompanha o calendário eleitoral, sugerindo a necessidade de fiscalização mais rigorosa. Conforme as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o governo pode divulgar programas e obras até 4 de julho de 2026. Após essa data, a legislação restringe publicidade institucional, exceto em casos específicos previstos pela Justiça Eleitoral. A decisão de manter a comunicação ativa até o limite permitido visa garantir que as informações sobre as realizações governamentais alcancem o maior número possível de cidadãos, respeitando os prazos estabelecidos pela legislação.
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