DEBATE SOBRE SEGURANÇA
Dário Barbosa propõe desmilitarizar a polícia e questiona seletividade
Candidato do PSTU ao Governo do Rio Grande do Norte defende reforma na formação policial e aponta desigualdades no tratamento da população vulnerável.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Dário Barbosa (PSTU), defendeu a desmilitarização da segurança pública e uma reestruturação na formação dos policiais para combater o que classificou como uma visão discriminatória contra as parcelas mais vulneráveis da sociedade. A declaração foi feita nesta quinta-feira (20/08/2026), durante entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM.
Para o candidato, a estrutura policial atual reflete uma mentalidade de guerra, originalmente concebida para que as Forças Armadas enfrentem ameaças externas. Ao questionar a lógica por trás das abordagens cotidianas, Dário Barbosa indagou sobre a identificação de um suposto inimigo interno, enfatizando que a pobreza não deve ser tratada como uma ameaça à ordem pública.
O respaldo dos dados
A percepção sobre a seletividade na ação policial é sustentada por indicadores oficiais. Conforme o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pessoas negras representaram 82% das vítimas de mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025. Em contraste, pessoas brancas corresponderam a 17,7% dos casos, revelando uma disparidade significativa.
A taxa de letalidade por 100 mil habitantes reforça esse cenário: o índice chegou a 3,5 entre a população negra, enquanto manteve-se em 1,0 entre brancos. Comparando com 2024, houve um crescimento de 3,5% na taxa de mortes de pretos e pardos, enquanto o índice entre brancos apresentou estabilidade.
Desafios legislativos
A proposta de desmilitarização encontra barreiras institucionais há anos. O debate remete à PEC 51, apresentada em 2013 por Lindbergh Farias, que sugeria a unificação das polícias em um modelo civil com ouvidoria externa. Embora a proposta tenha sido arquivada em 2018 e possua um pedido de desarquivamento desde março de 2019, não houve avanços concretos no Congresso nos últimos sete anos.
Apesar de criticar o modelo militarizado, Dário Barbosa afirmou que não busca reduzir o efetivo. Pelo contrário, defendeu investimentos em tecnologia e a modernização das forças para combater facções e milícias. O candidato ressaltou que a mudança necessária é tanto jurídica quanto pedagógica, alterando o conteúdo ensinado nas escolas de formação policial para evitar a criminalização da pobreza.
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