CUSTO DE ENERGIA DISPARA

Governo Lula e Congresso adicionam quase R$ 1 trilhão em custos extras na conta de luz até 2050

Gráfico mostrando aumento de custos na conta de luz.
Decisões sobre o setor elétrico podem impactar a conta de luz de brasileiros até 2050.

Levantamento aponta R$ 985 bilhões em novos encargos até 2050. Ministério de Minas e Energia rebate metodologia e defende benefícios das políticas públicas.

{ "blocks": [ { "type": "paragraph", "data": { "text": "Decisões tomadas pelo Governo Lula e pelo Congresso Nacional podem gerar R$ 985 bilhões em custos extras na conta de luz até 2050. A projeção é de um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, divulgado pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 01/06/2026. O montante, que representa um impacto significativo no orçamento das famílias e empresas, inclui despesas já contratadas no setor elétrico e que serão gradualmente repassadas às tarifas nos próximos anos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Segundo a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, esse valor engloba novos custos associados a medidas como despesas não previstas no Tratado de Itaipu, a prorrogação de benefícios e incentivos a projetos de energias renováveis, além da contratação de fontes de geração para garantir o suprimento em períodos de alta demanda. É importante notar que esta estimativa não considera reajustes tarifários anuais, inflação ou efeitos de bandeiras tarifárias, o que pode alterar o valor final." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Em resposta ao levantamento, o Ministério de Minas e Energia questionou a metodologia utilizada. Em nota enviada à Folha, a pasta classificou a forma de cálculo como “inadequada e superficial” para atribuir custos extras às políticas públicas do setor elétrico. O ministério defende que a análise deve considerar os benefícios dessas medidas, como a garantia de segurança energética, a expansão da oferta, a modernização do sistema e a atração de investimentos, aspectos cruciais para o desenvolvimento do país." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Essa discussão surge em um contexto de aumento real no peso da energia elétrica nos orçamentos domésticos. Um exemplo citado é o de uma família de classe média em São Paulo, que viu sua conta de luz subir de R$ 185 para R$ 220 mensais entre janeiro de 2023 e maio de 2026, um aumento de 18,4%, superando a inflação acumulada no período." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "A Frente Nacional dos Consumidores de Energia avalia que o setor vive um momento de desorganização regulatória e defende uma reforma abrangente do modelo elétrico. O presidente da entidade, Luiz Eduardo Barata, critica ações pontuais do governo e do Congresso por elevarem os custos da energia, afirmando que a falta de um arcabouço claro leva a mudanças desconexas." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Um dos principais fatores de pressão tarifária identificado é o Leilão de Reserva de Capacidade, conhecido como LRCap. Segundo a reportagem, este certame, conduzido pelo Ministério de Minas e Energia, sozinho gerou um custo estimado de R$ 546 bilhões na conta de luz. O objetivo do leilão é contratar usinas para garantir o fornecimento em momentos de pico de demanda, mas o modelo tem sido alvo de críticas por questões como atrasos, revisão de preços e falta de concorrência." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O Ministério de Minas e Energia defende o LRCap como o maior leilão da história, essencial para expandir energias renováveis e garantir a segurança do sistema. A pasta informa que o custo foi cinco vezes menor que em leilão similar em 2021, com potencial de economia de R$ 94 bilhões, embora essa avaliação seja contestada por agentes do setor ouvidos pela Folha." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Bruno Melo Lima, presidente em exercício da Fiemg, considera o volume de 19 GW contratado excessivo, prevendo um aumento de até 13% para a indústria na conta de luz." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "Outro ponto de atenção são as emendas e medidas provisórias aprovadas pelo Congresso, como a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei do marco legal das eólicas offshore, que adicionou um custo estimado de R$ 197 bilhões em 25 anos." } }, { "type": "paragraph", "data": { "text": "O Ministério de Minas e Energia, contudo, ressalta a estratégia de modernização do setor elétrico com leis como a 15.235/2025 e 15.269/2025, que promoveu uma reforma considerada importante para reduzir custos e aumentar a confiabilidade do sistema. Especialistas e representantes do setor produtivo, no entanto, ainda buscam uma política mais coesa para resolver os problemas estruturais." } } ] }

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