GASTOS SECRETOS AFETAM PIB

Governo gasta fora do Orçamento e já impacta o PIB, afirma especialista

Marcos Mendes, especialista em economia, falando em entrevista.
Pesquisador associado do Insper, Marcos Mendes, analisa cenário fiscal brasileiro.

Pesquisador do Insper aponta que medidas adotadas pelo governo geram despesas não contabilizadas no Orçamento oficial, impactando a economia. Mendes alerta para falta de ajuste fiscal e vulnerabilidade externa.

O cenário fiscal brasileiro está sob intenso escrutínio após a divulgação de dados pelo Tesouro Nacional. Nesta quinta-feira, 02/07/2026, o pesquisador associado do Insper, Marcos Mendes, apontou em entrevista ao WW que o relatório oficial abrange apenas uma parte da realidade, omitindo um volume significativo de gastos realizados à margem do Orçamento.

Mendes descreveu o uso de "muita criatividade para gastar por fora do Orçamento" por parte do governo. Um estudo recente do pesquisador revela que as ações implementadas a partir de meados do ano anterior já resultaram em uma expansão de despesas não registradas oficialmente, equivalente a mais de 1,5% do PIB. "Aquele governo que está sempre reclamando de herança maldita está deixando uma herança bem pesada", comentou.

Ausência de ajuste fiscal

O especialista ressaltou a falta de perspectivas para um ajuste fiscal robusto, independentemente do resultado eleitoral. Para que a trajetória da dívida se estabilize, seria necessário reverter o déficit atual de 0,5% do PIB para um superávit entre 1,5% e 2% do PIB, o que configura um ajuste de quase 4% do PIB, ponderou Mendes.

"Eu vejo muito pouco apetite por parte do governo e não vejo também a oposição sinalizar com algo concreto. Em momento de eleição ninguém quer falar em assunto difícil", declarou o pesquisador.

Vulnerabilidade externa e risco de crise

Mendes também alertou para a elevada exposição do Brasil às condições econômicas internacionais. Fatores como a valorização do dólar e a iminente elevação de juros pelo banco central americano podem agravar o quadro interno. "Qualquer mudança de cenário que seja ruim para os países emergentes vai gerar um problema muito sério aqui, pode propiciar uma crise", advertiu.

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