CUSTO DE VIDA, ALERTA MÁXIMO
Governo federal tenta frear alta de combustíveis para gaúchos
Medida Provisória de dois meses oferece subsídio na gasolina; preço do diesel já saltou 20% no Rio Grande do Sul, mas repasse é incerto.
O governo federal publicou uma Medida Provisória (MP) com dois meses de subsídio para tentar frear a escalada nos preços dos combustíveis, uma resposta à crise entre Estados Unidos e Irã que já impacta severamente o bolso dos gaúchos. A medida visa oferecer um desconto de 40 a 45 centavos por litro na gasolina, mas a incerteza sobre seu repasse aos consumidores mantém a apreensão de quem sente o peso do diesel no frete e dos alimentos mais caros.
A crise internacional se traduz em desafios tangíveis para o dia a dia. No Rio Grande do Sul, o valor médio do diesel, vital para o transporte e a produção, saltou de R$ 6,23 para R$ 7,53 em um único mês, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Este aumento representa um encarecimento de aproximadamente 20%.
O diesel, responsável por movimentar 85% da produção do estado, dispara uma cascata de aumentos que vai muito além das bombas. O frete fica mais caro, e a alta se estende a insumos essenciais como óleos lubrificantes, pneus e serviços de recapagem, conforme explica Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no RS (Fetransul).
Nas ruas, a população reflete a angústia. A contadora Vitória Staevie expressa um sentimento comum: “Está cada vez pior, a gente não está sabendo muito onde recorrer.” A percepção de que os preços estão fora de controle é compartilhada pelo líder de manutenção Gabriel Eduardo Christmann: “Está um absurdo. Para nós, consumidores do dia a dia, está bem delicado.”
No fim da cadeia produtiva, o frete mais salgado culmina em preços mais elevados nos supermercados, impactando diretamente o poder de compra das famílias. A aposentada Ana Luiza Dihl lamenta: “Tu vem com uma quantia de dinheiro e quando vê, volta com duas sacolinhas pra casa.” O economista Silvio Cezar Arend reforça a gravidade da situação, afirmando que o aumento dos combustíveis é um dos principais motores da inflação, e o risco de novas elevações “está batendo na porta”.
Diante desse cenário, o governo federal publicou a Medida Provisória que busca aliviar a pressão. Contudo, Fabricio Severo Braz, presidente do sindicato dos postos (Sulpetro), alerta que a aplicação do desconto não é assegurada, pois a efetivação depende diretamente do custo de compra de cada revendedor, gerando incerteza sobre o impacto real para os motoristas e consumidores finais.
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