IMPACTO ATRASADO
Governo federal projeta efeitos da Selic apenas para o 4º trimestre de 2026
Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda eleva previsão da Selic para 13% e alerta para desaceleração na renda das famílias.
O governo federal estima que os impactos da redução da taxa Selic só se manifestarão de forma evidente a partir do 4º trimestre de 2026. A Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Fazenda, apresentou esta avaliação nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, durante a divulgação do Boletim Macrofiscal. A projeção aponta para uma manutenção da política monetária restritiva, crucial para conter a inflação, mas com um custo de desaceleração econômica no curto prazo que afeta diretamente a renda das famílias e o panorama de recuperação do país.
A política monetária continuará a ser restritiva nos próximos meses, conforme explicou a secretária da SPE, Débora Freire. Ela atribui a necessidade de manter os juros altos à pressão inflacionária global, intensificada pela escalada do preço do petróleo após o conflito entre Estados Unidos e Irã. “O Brasil não está em posição de reverter o ciclo de cortes da política monetária”, salientou Freire, sublinhando a vulnerabilidade do cenário.
Rafael Leão, subsecretário de Política Macroeconômica da SPE, detalhou que os efeitos defasados da Selic elevada ainda permeiam a economia nacional. A SPE, em resposta à deterioração do cenário internacional, reajustou sua estimativa para a taxa Selic terminal, elevando-a de 12% para 13% ao ano.
Leão afirmou que a política monetária permanece como um “vetor de contenção da atividade”. Ele projetou que a desaceleração econômica se tornará mais acentuada nos 2º e 3º trimestres, com uma expectativa de recuperação no fim do ano, impulsionada principalmente pela indústria manufatureira.
A equipe econômica também identificou uma significativa perda de força na renda das famílias. A massa de rendimento real registrou um crescimento de 1,6% no trimestre, bem abaixo dos 3% observados anteriormente. O rendimento médio, por sua vez, desacelerou de 2,3% para 1,3%, impactando o poder de compra e a qualidade de vida da população.
Apesar desses desafios, o governo considera que o mercado de trabalho demonstra resiliência. A taxa de desemprego encerrou o trimestre de março em 6,1%, o nível mais baixo já registrado na série histórica para o período, um dado que contrasta com a fragilidade na renda.
O subsecretário Leão reiterou que o choque do petróleo elevou a inflação global e freou o ciclo de redução de juros nas economias mais desenvolvidas. “O Federal Reserve dos Estados Unidos já abandonou a perspectiva de corte de juros no curto prazo, um cenário que diminui o espaço para flexibilização monetária no Brasil”, concluiu, indicando a interconexão da economia brasileira com as tendências globais.
A íntegra do Boletim Macrofiscal está disponível para consulta aqui (PDF – 824 kB).
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário