DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Governo federal ouvirá setor produtivo antes de aplicar Lei da Reciprocidade
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio lidera rodada de conversas com empresários para avaliar reação ao tarifaço dos EUA.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio iniciou um processo de consulta aos setores produtivos nacionais para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, após a imposição de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A decisão, que visa equilibrar a defesa dos interesses do Brasil com a preservação da economia real, foi formalizada nesta sábado, 18/07/2026, com o objetivo de ouvir os segmentos diretamente impactados pela medida protecionista norte-americana antes de definir um posicionamento definitivo.
O Palácio do Planalto busca, por meio deste diálogo, entender a viabilidade de contramedidas. A necessidade da escuta ocorre em um cenário onde o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera as possibilidades de renegociação direta com a Casa Branca reduzidas. A estratégia inclui a discussão do Plano Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 15 bilhões em crédito para empresas exportadoras, e a possível retomada do Reintegra como alívio fiscal.
A Lei da Reciprocidade, chancelada pelo Congresso Nacional, autoriza o Executivo a adotar medidas compensatórias contra países que impõem restrições abusivas. O instrumento jurídico permite resposta em casos de interferência em escolhas soberanas ou violação de acordos comerciais. Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), manifestou apoio ao uso do mecanismo como defesa legítima dos interesses nacionais, embora o governo mantenha a cautela sobre os efeitos colaterais de uma guerra comercial.
A decisão final sobre a aplicação das tarifas recíprocas ainda depende do desfecho destas consultas técnicas. Integrantes do governo apontam que o cenário político nos Estados Unidos influencia a rigidez das medidas, tornando o debate com os empresários essencial para mensurar os custos de uma eventual retaliação brasileira no cenário global.
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