MEI: LIMITE PODE SUBIR

Governo Federal estuda elevar teto do MEI diante de pressão do Congresso

Ilustração de um Microempreendedor Individual (MEI) com documentos e simbolos de dinheiro.
Microempreendedor Individual (MEI) pode ter limite de faturamento ampliado.

Proposta em análise prevê aumento gradual do faturamento anual, enquanto parlamentares defendem tetos ainda maiores. Equipe econômica busca reduzir impacto fiscal.

O Governo Federal iniciou discussões para elevar gradualmente o teto de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI). A medida surge em resposta à crescente pressão do Congresso Nacional, que busca ampliar o limite atual de R$ 81 mil. A proposta em análise prevê que o teto alcance R$ 100 mil em 2027 e R$ 120 mil em 2028, permitindo aos microempreendedores uma receita mensal de até R$ 10 mil. Essa decisão, cujo debate está em andamento, importa para milhões de trabalhadores informais e pequenos empreendedores que buscam formalização e acesso a benefícios previdenciários, impactando diretamente sua dignidade e sustentabilidade financeira.

A discussão ocorre em paralelo ao avanço de um projeto no Congresso que propõe a ampliação do limite para R$ 130 mil por ano. Na Câmara dos Deputados, inclusive, há parlamentares defendendo um teto ainda mais elevado, de até R$ 145 mil. A ampliação do teto do MEI integrou negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, durante a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição.

Representação de um microempreendedor individual recebendo documentos e consultoria.

Embora o Governo Federal reconheça a dificuldade política em barrar a proposta de aumento, a equipe econômica explora alternativas para mitigar seus efeitos fiscais. Estudos indicam que a elevação para R$ 130 mil poderia gerar um impacto atuarial estimado em R$ 90 bilhões para a Previdência Social, considerando receitas e despesas projetadas para as próximas sete décadas e trazidas a valor presente. Para as faixas intermediárias em estudo, os impactos projetados variam entre R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões.

A principal preocupação do Governo Federal reside no caráter subsidiado do regime. Atualmente, o MEI contribui com 5% do salário mínimo, cerca de R$ 81,05 mensais, para ter acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte. Integrantes da equipe econômica defendem que o debate vá além do aumento do teto e aborde mudanças estruturais para garantir a sustentabilidade do sistema. Uma das ideias discutidas é substituir a contribuição fixa pelo salário mínimo por alíquotas progressivas de 8% e 12% sobre o faturamento, visando uma transição mais fluida entre o MEI e o Simples Nacional.

Adicionalmente, o Governo Federal avalia o impacto sobre a arrecadação. A ampliação do teto pode incentivar empresas do Simples Nacional a migrarem para o MEI, o que acarretaria uma renúncia fiscal estimada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões anuais. Um estudo da consultoria legislativa da Câmara dos Deputados aponta que a perda de arrecadação pode superar R$ 5 bilhões anuais, em média, entre 2025 e 2027.

Nos bastidores, a avaliação é de que o cenário político atual, especialmente em período eleitoral, não favorece a discussão sobre aumento de contribuições. Uma fonte governamental indicou que "esse debate terá de ser enfrentado em 2027". Criado em 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MEI visava formalizar trabalhadores informais e simplificar a abertura de negócios. A contribuição previdenciária inicial era de 11% do salário mínimo, reduzida para 5% em 2011, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. O Brasil conta atualmente com aproximadamente 16,75 milhões de microempreendedores individuais cadastrados, segundo dados da Receita Federal.

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