NEGOCIAÇÃO POLÍTICA CRUCIAL

Governo e oposição iniciam diálogo em Caracas por transição na Venezuela

Jorge Rodriguez e Dinorah Figuera em mesa de negociação em Caracas.
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodriguez, e a ex-deputada opositora Dinorah Figuera participam da sessão de abertura do diálogo nacional em Caracas, Venezuela, em 6 de agosto de 2026.

Conversas buscam reformar órgãos eleitorais e judiciais, enquanto famílias pressionam por liberdade de presos políticos.

O governo interino e representantes da oposição deram início a uma rodada de negociações mediada pelos Estados Unidos, buscando abrir caminho para uma transição política e a organização de eleições no país. O encontro aconteceu nesta quinta-feira (6), em Caracas, marcando um momento decisivo para o futuro institucional da nação venezuelana.

As tratativas ocorrem sete meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação liderada pelos Estados Unidos, evento que consolidou a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez sob forte monitoramento de Washington. A reunião foi realizada no Centro de Convenções da base militar de La Carlota, com acesso restrito a fotógrafos.

A delegação governista é liderada por Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional, enquanto o grupo oposicionista é chefiado por Dinorah Figuera. Recentemente retornada de um exílio na Espanha, Figuera defende que a pauta prioritária inclua mudanças no Tribunal Supremo de Justiça e no Conselho Nacional Eleitoral, além do restabelecimento pleno dos direitos civis e políticos dos cidadãos.

Para a sociedade civil e familiares de detidos, o diálogo carrega o peso da urgência humanitária. Manifestantes e parentes de presos políticos, que mantêm vigílias contínuas, reforçam que a liberdade de seus entes queridos não deve servir como moeda de troca nas negociações. A expectativa de setores da oposição, como o aliado de María Corina Machado, Juan Pablo Guanipa, reside na presença dos Estados Unidos como fiadores do cumprimento de possíveis acordos.

Enquanto o Departamento de Estado norte-americano classificou as conversas como uma oportunidade única, o cenário interno permanece complexo. Grupos de militantes têm protagonizado protestos contra a influência estrangeira no país, refletindo a polarização que ainda marca o cotidiano venezuelano.

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