SEGURANÇA DIGITAL AGORA

Governo dos EUA vai fiscalizar IA de big techs antes do público

Representação de Inteligência Artificial: uma pessoa interagindo com tecnologia que utiliza IA.
Inteligência Artificial nos estudos: até onde ela ajuda ou atrapalha? — Foto: Reprodução/Freepik

Acordos com Google DeepMind e Microsoft marcam guinada contra ameaças digitais.

Uma guinada estratégica na política tecnológica dos Estados Unidos garantirá maior controle sobre o desenvolvimento da inteligência artificial. O governo, sob a gestão do presidente Donald Trump, anunciou nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, que terá acesso antecipado e fará a revisão de novos modelos de IA desenvolvidos por grandes empresas de tecnologia, como Google DeepMind e Microsoft, antes que sejam lançados ao público. A medida, que retoma e adapta compromissos da administração anterior de Joe Biden, visa proteger a sociedade e a segurança nacional diante do rápido avanço e dos potenciais riscos de sistemas de IA cada vez mais potentes, marcando uma significativa mudança na postura de menor interferência do governo.

Os acordos firmados não apenas envolvem gigantes como Google DeepMind, Microsoft e xAI, mas também representam uma virada notável na abordagem do presidente Donald Trump, que anteriormente defendia uma participação governamental mínima na evolução tecnológica. Essas parcerias são uma adaptação de compromissos previamente estabelecidos na gestão de Joe Biden, agora revitalizados com termos atualizados para o cenário atual da IA.

Para além dos acessos antecipados, a Casa Branca estuda a formação de um grupo de trabalho multidisciplinar, composto por representantes do governo e do setor tecnológico. O objetivo desse colegiado será discutir e estabelecer metodologias para avaliar e revisar novos sistemas de IA de forma eficaz, antes de sua liberação em larga escala para a população.

O Centro para Normas e Inovação em IA (Caisi), uma entidade vinculada ao Departamento do Comércio, assumirá um papel central nesse novo cenário. A organização planeja realizar análises rigorosas antes do uso dessas tecnologias e conduzir investigações específicas para aprofundar a compreensão de seu funcionamento e identificar possíveis ameaças. Ainda não há clareza se os acordos recentemente anunciados se encaixam nesse plano de trabalho mais abrangente que está em discussão.

O Caisi, vale lembrar, surgiu como sucessor de um órgão criado durante a administração Biden, focado na segurança da inteligência artificial. A mudança de direção de Trump é especialmente notável, visto que, em seu primeiro mandato, ele criticou abertamente regulações desse tipo, chegando a revogar medidas anteriores sob a alegação de que poderiam comprometer a competitividade dos Estados Unidos no cenário global, sobretudo em relação à China.

A reavaliação da política pode ser atribuída ao surgimento de sistemas de IA significativamente mais poderosos e complexos. Um caso ilustrativo é o modelo "Mythos", desenvolvido pela empresa Anthropic. Este sistema, segundo relatos, possui uma capacidade avançada de identificar falhas de segurança digital, motivo pelo qual não foi disponibilizado ao público, dada a percepção de riscos elevados que poderia gerar.

Chris Fall, diretor do Caisi, enfatizou a importância de uma abordagem científica e independente. "Uma ciência de medição independente e rigorosa é essencial para compreender a IA de ponta e suas implicações para a segurança nacional", declarou Fall, sublinhando o compromisso com a avaliação criteriosa. Fontes da imprensa estadunidense confirmaram que a Agência de Segurança Nacional (NSA) já teve acesso ao "Mythos" e está conduzindo testes com o sistema, evidenciando a seriedade com que a ameaça é tratada.

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