CONTAS PÚBLICAS SOB PRESSÃO

Governo dos Estados Unidos reembolsa US$ 81 bilhões em tarifas consideradas ilegais

Donald Trump discursando em evento oficial dos Estados Unidos.
Segundo Trump, líderes árabes afirmaram que negociações estão em andamento. | Gage Skidmore/Flickr - 27.fev.2017

Valores devolvidos pelo Departamento do Tesouro impactam o balanço fiscal do país após determinação da Suprema Corte.

O governo dos Estados Unidos promoveu a devolução de US$ 81,3 bilhões arrecadados por meio de tarifas de importação que foram posteriormente classificadas como ilegais pela Suprema Corte. A medida, detalhada em um relatório oficial publicado pelo Departamento do Tesouro na segunda-feira, 13 de julho de 2026, reflete um cumprimento direto de ordens judiciais que impactam severamente o fluxo de caixa do Estado no atual ano fiscal, iniciado em 1 de outubro de 2025.

O impacto financeiro desta decisão é expressivo, representando um montante 15 vezes superior aos US$ 5,3 bilhões devolvidos no mesmo período do ano fiscal anterior. Segundo Lauren Almeida, jornalista do The Guardian, a aceleração dos reembolsos, concentrada entre maio e junho de 2026, deriva de uma sentença proferida pela Suprema Corte em fevereiro, que ordenou o ressarcimento às empresas afetadas pela política tarifária do presidente Donald Trump, do Partido Republicano.

Conforme dados do Departamento do Tesouro referentes aos nove primeiros meses do ano fiscal, a arrecadação bruta somou US$ 244,3 bilhões, porém, com a dedução dos US$ 81,3 bilhões em reembolsos, a receita líquida ficou em US$ 163 bilhões. Apenas no mês de junho de 2026, as devoluções alcançaram US$ 49,2 bilhões, superando a arrecadação do período e deixando o saldo mensal negativo em US$ 25,6 bilhões.

A situação dos cofres públicos é agravada pelo aumento do deficit, que atingiu US$ 1,367 trilhão entre outubro de 2025 e junho de 2026. A pressão é exercida também pelo crescimento dos gastos com juros da dívida, que superaram a marca de US$ 1 trilhão, e pelos investimentos em programas militares do Departamento de Defesa, que subiram para US$ 678,7 bilhões. Embora o governo dos Estados Unidos mantenha um recurso judicial para tentar frear novos pagamentos, a incerteza fiscal permanece como um desafio para a Casa Branca.

Enquanto o cenário de reembolsos avança, o governo norte-americano prepara novas medidas protecionistas. A atual tarifa global temporária de 10% tem vigência até 24 de julho de 2026. Paralelamente, planos para novas taxas entre 10% e 12,5% contra nações como Reino Unido, Japão, Índia, Taiwan e China estão em discussão, sob alegações de falhas na fiscalização do trabalho forçado, mantendo o mercado global em alerta constante.

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