ENERGIA GARANTIDA

Governo defende Leilão de Capacidade em meio a ataques e garante luz

Governo defende Leilão de Capacidade em meio a ataques e garante luz

Medida aprovada por Lei visa assegurar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar blecautes no País. Especialistas alertam para riscos de sabotagem política e econômica.

O Leilão de Reserva de Capacidade por Potência (LRCAP), medida aprovada por Lei para assegurar a confiabilidade e flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), enfrenta um turbilhão de ataques nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. Considerada tecnicamente consistente e crucial para evitar blecautes e racionamentos, a iniciativa é agora alvo de uma campanha orquestrada por três grupos com objetivos distintos, mas muitas vezes interligados, que colocam em risco a segurança energética do Brasil e o dia a dia de milhões de famílias e indústrias.

O primeiro ator neste cenário conturbado é o “Grupo Político”. Em um ano eleitoral marcado pela alta competitividade, diversos partidos lançam ataques contra o leilão, na crença de que a instabilidade no setor elétrico poderia beneficiar suas agendas. No entanto, essa estratégia é descrita como contraditória, pois qualquer futuro Governo de Plantão enfrentará sérios riscos de blecautes e racionamentos no SIN sem o LRCAP. Ao fragilizar a medida, esses agentes, muitas vezes sem a devida base técnica, acabam por expor seus próprios candidatos a um custo político e social imenso, influenciados pelos lobbies do segundo Grupo.

O segundo é o “Grupo Econômico”, que atua para desestabilizar o leilão motivado por interesses financeiros. Este Grupo se aproveita da superficialidade de certos debates no setor elétrico para disseminar ideias de supostos especialistas, cujas opiniões carecem de profundidade técnica sobre sistemas elétricos de Potência, utilizando argumentos falaciosos para impulsionar seus objetivos pecuniários.

A atuação desse Grupo gera um prejuízo significativo ao País. Com vasta quantia de recursos, eles financiam propagandas enganosas na televisão e produzem vídeos de baixo nível técnico, manipulando a opinião pública para favorecer seus próprios interesses econômicos, sem considerar as consequências para a população.

Entre as informações distorcidas, está a superestimação do papel das baterias, apresentadas como substitutas eficazes de termelétricas e até hidrelétricas em termos de confiabilidade. Especialistas alertam que a utilização de baterias em alta ou extra tensão com controladores GFM (Grid Forming Inverters) ainda se encontra em fase experimental, sendo mais comum e segura em baixa tensão, onde os desafios de corrente de curto-circuito são menores. É crucial ressaltar que, atualmente, o Brasil não possui nenhuma bateria operando com controladores GFM, que seriam essenciais para uma eventual substituição das máquinas síncronas encontradas em usinas termelétricas e hidrelétricas.

A proposta de implantar um equipamento ainda em teste e sem aplicação comprovada no Brasil para garantir a confiabilidade do SIN é uma inconsistência grave, configurando uma ameaça direta à segurança dos consumidores e de todo o povo brasileiro. Essa postura, movida por interesses econômicos, ignora a responsabilidade com a segurança eletroenergética, um bem público fundamental.

O terceiro e último grupo é o dos “Achólogos Negativos”, indivíduos que criticam sistematicamente, sem apresentar embasamento sólido ou conexão com a realidade. Paradoxalmente, esses mesmos negativistas, que agora descredibilizam o leilão, serão os primeiros a culpar o Governo de Plantão caso ocorram blecautes ou racionamentos na ausência do LRCAP, demonstrando uma postura contraditória e irresponsável.

A tática desses “Achólogos Negativos” parece ser a de subestimar a inteligência do público. Eles criticam o leilão sob o argumento de um possível aumento de custos para o consumidor, mas convenientemente omitem que a contrapartida é o acesso ininterrupto à energia – essencial para tarefas cotidianas, entretenimento doméstico e funcionamento das indústrias. Em contrapartida, se a falta do leilão resultar em interrupções e problemas graves, serão os primeiros a exigir soluções, muitas vezes financiados por entidades com agendas questionáveis.

Diante desse cenário, a questão fundamental é: quem detém a verdade? Será que a palavra de Grupos com interesses específicos supera os rigorosos estudos técnicos elaborados por instituições de renome como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Sistema (ONS), a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o próprio corpo técnico do Ministério de Minas e Energia (MME)? É inconcebível imaginar um conluio entre esses órgãos para arquitetar um leilão custoso e sem propósito, desafiando a lógica e a expertise acumulada.

É imperativo retornar à realidade e focar os esforços na implementação da alternativa que garante a segurança eletroenergética do SIN. Somente assim o setor elétrico brasileiro poderá se desvencilhar do cenário de incertezas e retrocessos que tem sido imposto por interesses alheios ao bem-estar coletivo.

* Xisto Vieira Filho é presidente da Abraget (Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas).

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