STF CRITICA GASTOS

Gilmar Mendes ameaça anular pautas-bombas aprovadas pelo Senado sem estudo de impacto

Retrato do ministro do STF Gilmar Mendes
Ministro do STF Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes alerta que medidas aprovadas pelo Congresso sem avaliação financeira podem ser invalidadas pelo Judiciário. A decisão impacta a responsabilidade fiscal do país.

O ministro do STF Gilmar Mendes criticou, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, propostas aprovadas pelo Congresso que criam despesas sem a devida avaliação de impacto financeiro para os entes federativos. O decano afirmou que a Corte deve barrar as chamadas “pautas-bombas” aprovadas sem estudos prévios. A informação foi divulgada pela CNN Brasil.

A manifestação do ministro ocorreu poucas horas após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, buscar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para conter o avanço de projetos com forte impacto orçamentário. Entre as propostas em questão está o PL 1365/22, que propõe elevar o piso salarial de determinadas categorias para, no mínimo, R$ 13.662, correspondente a uma jornada de 20 horas semanais, com um adicional de 50% para horas extras e trabalho noturno.

Gilmar Mendes defendeu enfaticamente que a estabilidade macroeconômica do Brasil está intrinsecamente ligada à responsabilidade financeira e ao cumprimento da Constituição Federal. Ele ressaltou que, na ausência desse compromisso, o desenvolvimento do país sofre sérias consequências, comprometendo a dignidade e o futuro de todos os cidadãos.

O ministro citou dispositivos constitucionais cruciais que impõem rigoroso planejamento e regras claras para a gestão dos orçamentos públicos. Isso inclui a exigência de lei complementar para assegurar a compatibilidade das finanças públicas com a sustentabilidade da dívida. Dentre os artigos mencionados estão o 163, 163-A, 164-A, e os artigos 165 a 169.

Em particular, Gilmar Mendes destacou o artigo 113 do ADCT, que torna obrigatória a apresentação de uma estimativa de impacto financeiro para todos os projetos que criam despesas ou reduzem receitas. Conforme a norma, propostas que concedam benefícios ou isenções fiscais devem detalhar o custo para os cofres públicos e as respectivas formas de compensação, garantindo transparência e responsabilidade.

Com base nesses mecanismos legais, o ministro afirmou categoricamente que o Congresso Nacional precisa demonstrar de forma clara o custo e a origem dos recursos antes de aprovar novos gastos. A falta dessas informações essenciais, segundo ele, representa um risco real e pode levar à invalidação das medidas pelo Judiciário, protegendo assim a saúde financeira do Estado e o bem-estar da população.

Gilmar Mendes concluiu seu pronunciamento reforçando que a criação de despesas sem a devida observância das regras constitucionais pode tornar as medidas legislativas ineficazes e prejudicar a sociedade. Para ele, a responsabilidade fiscal e a fidelidade inabalável à Constituição são condições indispensáveis para a validade e a legitimidade dos atos legislativos, assegurando um futuro mais justo e próspero.

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