INVESTIGAÇÃO FEDERAL

Gestor do Banco Master afirma a Jaques Wagner que senador fazia parte do processo de venda para o BRB

Foto do senador Jaques Wagner e de Augusto Ferreira Lima, gestor do Banco Master, ambos investigados na Operação Compliance Zero.
Senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, gestor do Banco Master, são alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero.

Mensagem captada pela Operação Compliance Zero, em sua 9ª fase, indica envolvimento do senador em transações financeiras. A decisão judicial do STF cita Augusto Ferreira Lima como interlocutor privado chave.

{"blocks":[{"key":"6v0f1","type":"paragraph","data":{"text":"O gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou ao senador Jaques Wagner (PT-BA) que o parlamentar fazia parte do processo de venda da instituição financeira ao BRB, o Banco de Brasília. A declaração foi feita em mensagem captada pelos investigadores da Operação Compliance Zero, que deflagrou sua 9ª fase nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, tendo como alvos Jaques Wagner e Augusto Lima, entre outros investigados. Augusto era sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que se encontra preso.", "text_format":"normal"}},{"key":"2a3b4","type":"paragraph","data":{"text":"Uma decisão judicial do Supremo Tribunal Federal (STF), assinada pelo ministro relator André Mendonça, que embasou a operação, aponta Augusto Ferreira Lima como o principal interlocutor privado de Jaques Wagner. Segundo o documento, Lima é descrito como a figura central na entrega de vantagens, coordenando desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para a compra de um imóvel indicado pelo senador e os repasses para a BN Financeira.", "text_format":"normal"}},{"key":"7c8d9","type":"paragraph","data":{"text":"Conforme a decisão do STF, em uma mensagem datada de 29 de março de 2025, Augusto Lima explicou a Jaques Wagner os termos da operação de venda do Banco Master ao BRB, declarando: \"Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!\". O ministro Mendonça interpretou que a frase sugere que Jaques Wagner não era apenas um receptor passivo de informações, mas um interlocutor relevante em assuntos sensíveis ao grupo econômico.", "text_format":"normal"}},{"key":"1e2f3","type":"paragraph","data":{"text":"Entre 2024 e outubro de 2025, R$ 30 bilhões foram transacionados entre o BRB e o Banco Master, de acordo com balanço da gestão atual do BRB. Deste montante, R$ 12,12 bilhões foram objeto de apuração pela Operação Compliance Zero. Investigações indicam que pelo menos R$ 8,8 bilhões se referiam a títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, caracterizando, na prática, um potencial rombo no patrimônio do banco. O presidente do BRB à época dos negócios, Paulo Henrique Costa, também está preso.", "text_format":"normal"}},{"key":"4g5h6","type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Jaques Wagner teria atuado em favor do Banco Master. As suspeitas envolvem a atuação parlamentar em temas relacionados a crédito consignado, o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a fiscalização da compra do Master pelo BRB, além da chamada \"Emenda Master\". Como contrapartida a essa atuação, a PF identificou a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, a unidade 1.702 do empreendimento Poème Horto, cujos dados teriam sido repassados diretamente por Wagner a Augusto Lima.", "text_format":"normal"}},{"key":"7i8j9","type":"paragraph","data":{"text":"As tratativas teriam continuado mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, com registros de chamadas de voz, reuniões presenciais, videoconferências e envio de minutas contratuais. Wagner teria tratado diretamente com Augusto Ferreira Lima uma proposta para elevar a margem consignável de trabalhadores regidos pela CLT, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Esse tema deu origem à emenda n° 30 à Medida Provisória 1.106/2022, convertida em lei.", "text_format":"normal"}},{"key":"1k2l3","type":"paragraph","data":{"text":"Adicionalmente, a PF aponta a articulação para a aprovação da PEC 65/2023, que afetava o limite de cobertura do FGC, e em que Wagner teria atuado em prol da \"Emenda Master\". Há registros de contatos entre Guilherme Sodré, Daniel Vorcaro, o chefe de gabinete do senador e Augusto Lima. Em 13 de agosto de 2024, uma ligação de 9 minutos e 19 segundos ocorreu entre Wagner e Lima, seguida pelo envio do link de uma emenda. Em 27 de agosto do mesmo ano, após um encontro presencial, Lima teria reencaminhado o link de outra emenda.", "text_format":"normal"}},{"key":"4m5n6","type":"paragraph","data":{"text":"Em maio, em entrevista ao programa Estúdio i, o senador Jaques Wagner comentou sua relação com os empresários Daniel Vorcaro e Augusto Lima em relação à privatização da rede estadual de supermercados Cesta do Povo, durante o governo de Rui Costa na Bahia. Segundo Wagner, as negociações para a privatização ocorreram com Augusto Lima, destacando a expertise deste em cartões de serviço e consignados. O parlamentar afirmou que sua participação e a do então governador se encerraram em 2018, com a conclusão da venda da rede e do Cartão Cesta, e que a gestão subsequente passou por outras instituições financeiras como o Banco Máxima e, posteriormente, o Banco Master.", "text_format":"normal"}},{"key":"7o8p9","type":"paragraph","data":{"text":"Apesar da descrição das condutas envolvendo a atividade parlamentar, o ministro André Mendonça não acolheu o pedido da PF para a realização de buscas e apreensões no gabinete de Jaques Wagner. A Procuradoria-Geral da República também se manifestou contra a medida. O ministro justificou que a realização de buscas em dependências de outro Poder exige fundamentação rigorosa, demonstrando não apenas a participação do parlamentar, mas também a existência de provas indispensáveis à investigação que não possam ser obtidas por outros meios. Medidas em escritórios ligados ao mandato de Wagner também não foram autorizadas.", "text_format":"normal"}},{"key":"1q2r3","type":"paragraph","data":{"text":"A assessoria de Jaques Wagner foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre a operação desta quinta-feira (18). A decisão judicial é passível de recurso.", "text_format":"normal"}}]},

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