RENTABILIDADE EM FOCO

Gerdau mira recuperação de margens no Brasil

Gerdau mira recuperação de margens no Brasil

Custos de frete e insumos elevam desafios; decisões antidumping cruciais para a siderúrgica.

A Gerdau, gigante do setor siderúrgico, anunciou nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, sua firme expectativa de melhorar as margens de lucro no Brasil nos próximos trimestres. A decisão estratégica responde à crescente pressão dos custos operacionais e à concorrência desleal, buscando restaurar a rentabilidade e salvaguardar a capacidade de investimento e a manutenção de empregos na indústria nacional.

O presidente-executivo da companhia, Gustavo Werneck, enfatizou a urgência: "Com um aumento desses de custos, temos buscado nossos clientes para conseguirmos um novo patamar de rentabilidade. É imperativo voltarmos a um patamar que remunere nosso capital nos próximos trimestres." Ele ressalta que as negociações com fornecedores de insumos têm sido "muito árduas", uma batalha constante pela sustentabilidade do negócio.

Rafael Japur, vice-presidente financeiro da Gerdau, detalhou os desafios imediatos, apontando os fretes terrestres e os custos com gás natural como principais impactos derivados da guerra no Oriente Médio. Este conflito impulsionou um aumento global nos preços internacionais do petróleo e seus derivados desde o final de fevereiro, elevando diretamente os custos operacionais da siderúrgica, que utiliza gás no reaquecimento de aço. Japur estima que os fretes representam entre 9% e 12% do custo de vendas da empresa no Brasil.

Embora o preço do carvão ainda não reflita uma mudança significativa nas contas da Gerdau, o executivo alertou para um impacto futuro. Com um aumento de 20% a 30% nos fretes internacionais entre Brasil e Ásia, a estrutura de custos da companhia sentirá o peso nos próximos meses, devido ao 'lead time' típico de 90 a 180 dias para a transição do aumento de preços.

No primeiro trimestre, a margem do Ebitda das operações da Gerdau no Brasil alcançou 9,2%, uma melhoria em relação aos 7,1% do final do ano passado. Contudo, este patamar ainda está distante dos 14,6% registrados no início de 2025 e muito aquém dos 24,1% das operações norte-americanas do grupo. "Tivemos uma margem de 9,2% no Brasil e temos um custo financeiro em torno de 10%... Não precisa fazer muita conta para ver que não gera lucro uma margem de 9%," exemplificou Japur, sublinhando a inviabilidade da situação a longo prazo.

Parte essencial da estratégia para aprimorar as margens no Brasil reside em investimentos significativos. No primeiro trimestre, 84% dos R$ 1,1 bilhão desembolsados pelo grupo globalmente foram direcionados às operações brasileiras, evidenciando o compromisso da empresa com o mercado nacional.

A Gerdau também aposta na defesa comercial. Meses atrás, Gustavo Werneck havia sinalizado a possibilidade de rever investimentos no Brasil caso o país não adotasse medidas contra a importação de aço, especialmente da China, que, segundo a empresa, acontece "de forma desleal" e sem seguir os padrões da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Desde então, o governo federal aprovou uma série de ações para coibir importações excessivas, incluindo sobretaxas antidumping sobre aços planos laminados a frio e revestidos. A expectativa da Gerdau, e de outras siderúrgicas no Brasil, é de que novas decisões antidumping sobre aços planos laminados a quente sejam anunciadas entre o final de junho e o início de julho.

Além disso, Japur informou que a empresa prevê para o segundo semestre uma decisão sobre o pedido de antidumping para fio máquina, um insumo vital na fabricação de pregos, parafusos, molas, telas e componentes automotivos. Este produto, que representa 10% das vendas de barras, concreto armado e vergalhão da Gerdau no Brasil (que por sua vez totalizam 30% do negócio nacional), foi um dos principais itens importados deslealmente. A empresa também planeja fazer um pedido ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) para antidumping sobre vergalhões.

No dia do anúncio, as ações da Gerdau exibiam alta de 1,8% às 11h44, posicionando-se na ponta positiva do Ibovespa, que registrava recuo de 1%. A valorização reflete a confiança do mercado nas medidas estratégicas e na resiliência da companhia em face dos complexos desafios econômicos.

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