BANCOS EM FOCO

Gabriel Galípolo assegura medidas de controle para bancos, mas omite BRB

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, em evento público.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em Brasília em 25 de maio de 2026.

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou que a autoridade monetária acompanha continuamente a capitalização e liquidez de instituições, sem citar nominalmente o Banco de Brasília (BRB), mas comparando a cobertura sobre o caso a um "BBB da supervisão bancária".

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, que a autoridade monetária acompanha continuamente a capitalização, a liquidez e a capacidade de caixa de bancos que não cumprem as regras de Basileia. Galípolo, no entanto, evitou comentar diretamente o caso do Banco de Brasília (BRB), destacando que a instituição adota medidas de 'enforcement' – controle e exigência de cumprimento de obrigações – enquanto as entidades em questão não solucionam seus problemas prudenciais.

A declaração ocorreu durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF). Galípolo explicou que o BC não pode comentar instituições específicas para evitar causar 'mais dano' ao sistema financeiro. Ele comparou a cobertura midiática sobre o caso do BRB a um 'BBB da supervisão bancária', em alusão ao intenso acompanhamento diário da situação pelo mercado e pela imprensa.

'A minha obrigação é não comentar caso específico', declarou o presidente do BC. Ele ressaltou que o Banco Central monitora um conjunto de condições de controle, incluindo situação de caixa, medidas de capitalização, atuação dos acionistas e capacidade de liquidez das instituições. Galípolo também enfatizou que o BC não interfere na 'conveniência das decisões privadas' nem recomenda aplicações financeiras a investidores, exemplificando que a instituição não indica qual tipo de Certificado de Depósito Bancário (CDB) comprar, pois manifestações públicas sobre casos específicos poderiam ampliar a instabilidade no sistema financeiro.

O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, reforçou que a legislação confere à autoridade monetária o dever de assegurar a 'normalidade da economia pública' e proteger depositantes e investidores. Segundo ele, a lei permite a adoção de medidas como busca de capitalização, reorganização societária e transferência de controle em cenários de deterioração prudencial.

Entenda Basileia

O Acordo de Basileia é um conjunto de diretrizes internacionais estabelecido pelo Comitê de Basileia, na Suíça, com o propósito de garantir a estabilidade do sistema financeiro. Seu principal objetivo é determinar o montante de capital próprio que os bancos devem deter para cobrir os riscos inerentes às suas operações, definindo o Índice de Basileia, um indicador fundamental para medir a solidez financeira das instituições bancárias.

Ailton de Aquino também manifestou a crescente preocupação do BC com serviços terceirizados e conexões via API no sistema financeiro, informando que a autoridade monetária está desenvolvendo novas regras regulatórias para o setor, com previsão de apresentação nos próximos meses.

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