POLÍTICA MONETÁRIA

BC mantém juros em patamar restritivo diante de cenário fiscal complexo

Fachada do Banco Central do Brasil.
Edifício-sede do Banco Central em Brasília, centro das decisões sobre a taxa Selic.

Economista Luiz Fernando Figueiredo aponta que a autoridade monetária busca ajuste fino, mas alerta que o custo da dívida pública pressiona a economia nacional.

O Banco Central mantém o compromisso de sustentar os juros em patamares elevados diante de um cenário econômico marcado por adversidades estruturais. A análise é de Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Jubarte Capital, que ressalta o peso das decisões da autoridade sobre a dinâmica financeira do Brasil.

Apesar de o Copom ter reduzido a Selic para 14% ao ano na semana passada (13/08/2026), o movimento é interpretado por especialistas como um ajuste técnico, e não como uma flexibilização monetária ampla. A decisão, que marcou o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto, foi amplamente antecipada pelo mercado após um período prolongado de taxas fixadas em 15%.

Para a população, a manutenção de juros altos reverbera diretamente no custo de vida e no acesso ao crédito. O fenômeno ocorre enquanto o Governo, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enfrenta críticas pela expansão dos gastos públicos. Dados recentes apontam que o Executivo expandiu despesas acima da meta original em mais de R$ 200 bilhões, criando um forte impulso na demanda que dificulta o trabalho do BC no controle inflacionário.

O custo dessa política fiscal é sentido no aumento do endividamento público. A Dívida Bruta do Governo Geral, que engloba o governo federal, o INSS e os entes estaduais e municipais, atingiu 81,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho, totalizando R$ 10,4 trilhões. Trata-se do maior volume registrado desde abril de 2021.

O cenário impõe desafios severos, conforme aponta Figueiredo. A persistência dos juros em dois dígitos eleva o custo de financiamento da máquina estatal, o que, segundo o especialista, deixa a autoridade monetária com margem limitada de manobra. A consequência de manter a taxa de juros elevada por tempo prolongado, contudo, traz um risco preocupante: a possibilidade de uma recessão econômica no ano seguinte, processo que o economista considera como praticamente contratado diante das condições atuais.

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