G7 SE REÚNE

G7 reúne líderes na França com foco em possíveis acordos de paz e tensões globais

Paisagem de Évian-les-Bains com o lago Léman ao fundo.
Vista do balneário de Évian-les-Bains, na França, onde ocorre a 52ª cúpula do G7.

Cúpula em Évian-les-Bains busca soluções para o Oriente Médio e Ucrânia, enquanto a influência de Trump e crises econômicas moldam o debate.

O balneário de Évian-les-Bains, encravado nos Alpes franceses à beira do lago Léman, sedia a 52ª cúpula do G7 a partir desta segunda-feira, 15 de junho de 2026. A reunião ocorre em um momento de significativa volatilidade geopolítica, com expectativas de avanços diplomáticos e incertezas persistentes em conflitos globais.

Um dos focos centrais é o Oriente Médio, onde o primeiro-ministro do Paquistão, atuando como mediador, anunciou a proximidade de um acordo entre EUA e Irã para a extensão do cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Hormuz, interrompido há mais de cem dias. Se concretizado, este seria o desenvolvimento mais notável desde o início do conflito em fevereiro.

No entanto, a guerra na Ucrânia permanece sem uma resolução clara. Adicionalmente, as tensões comerciais com Washington persistem, e o multilateralismo global enfrenta sua crise de legitimidade mais profunda em décadas. Donald Trump figura como um elemento central e imprevisível em muitas dessas dinâmicas.

A esperança de um acordo no Oriente Médio precisa ser vista com cautela, considerando o histórico recente e os eventos das últimas horas. Apesar do anúncio paquistanês, Israel intensificou bombardeios em Beirute. O Irã, por sua vez, responsabilizou os EUA por não conterem as ações israelenses, alegando a falta de vontade americana em cumprir suas obrigações.

Mesmo com a assinatura de um memorando, sua sustentabilidade é questionável. As negociações sobre o programa nuclear iraniano prometem ser extensas e desafiadoras, e o Irã já demonstrou capacidade de reativar o bloqueio do estreito. Para os líderes presentes em Évian, a principal questão reside não apenas na existência do acordo, mas em sua longevidade.

O G7 é formado pelos Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá, com a participação da União Europeia. A França detém a presidência do grupo neste ano, e o Presidente Emmanuel Macron será o anfitrião. Líderes do Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia foram convidados para participar das discussões.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou para Genebra neste domingo, 14 de junho de 2026, para sua décima participação em uma cúpula do G7.

A agenda inclui sessões dedicadas à Ucrânia e ao Oriente Médio, com a participação de membros plenos do G7. Para a discussão sobre o Oriente Médio, foram confirmadas presenças do Egito, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

Os países convidados, incluindo o Brasil, terão participação em sessões sobre desequilíbrios econômicos globais e parcerias internacionais para o desenvolvimento. Haverá também um almoço com CEOs proeminentes do setor de inteligência artificial.

A segurança em Évian-les-Bains foi reforçada, com a Gendarmeria Nacional estabelecendo seu centro logístico nas proximidades e a Suíça implementando controles temporários em suas fronteiras com a França entre 10 e 19 de junho.

Paralelamente, a guerra na Ucrânia continua sem perspectivas claras de encerramento, com o front relativamente estabilizado. Avanços ucranianos, incluindo ataques de drones em território russo, marcam o cenário recente.

O Presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, deve pressionar em Évian por mais sistemas de defesa aérea, compromissos financeiros plurianuais e o endurecimento das sanções contra o petróleo russo. Kiev necessita de US$ 95 bilhões em financiamento externo para 2026-27, com metade ainda sem garantia.

Mesmo com um potencial acordo EUA-Irã, o Banco Mundial já revisou para baixo sua previsão de crescimento global para 2,5% neste ano, citando o choque energético causado pelo bloqueio de Hormuz.

O risco de escassez de fertilizantes persiste, ameaçando a segurança alimentar em nações vulneráveis. Embora a reabertura do estreito traga alívio, os efeitos de mais de cem dias de crise não se dissiparão rapidamente, impactando diretamente a dignidade e o bem-estar de milhões.

Para o Presidente Macron, organizar este G7 é um esforço para manter a coesão em um ambiente onde um dos membros mais influentes demonstra desrespeito pelas regras estabelecidas. Suas ambições iniciais eram transformar Évian em um fórum de "reconvergência" macroeconômica e colocar a redução das desigualdades no centro do debate, objetivos que se chocam com a agenda de Donald Trump.

A estratégia encontrada foi a adoção de um modelo com múltiplas declarações separadas, uma para cada sessão, divulgadas ao longo dos três dias, semelhante ao utilizado em Biarritz em 2019, também com a presença de Trump. Esta abordagem visa acomodar as diferentes posições e evitar impasses.

A França adiou o início da cúpula para acomodar a agenda de Trump, que coincidentemente celebrava seu aniversário de 80 anos neste domingo. Mudanças na lista de convidados e a consideração de um jantar de encerramento em Paris visam manter o engajamento do líder republicano.

Especialistas apontam que, embora Macron tenha se esforçado para acomodar a agenda de Trump, a permanência do líder americano durante toda a cúpula é uma incógnita, lembrando sua saída antecipada em eventos anteriores.

O Presidente Lula desembarca em Genebra na manhã desta segunda-feira (15 de junho de 2026), antes de seguir para Évian. Planeja-se uma reunião bilateral com o Presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, e com Emmanuel Macron na tarde de segunda-feira.

Para terça-feira, há a possibilidade de encontros bilaterais com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, o ditador do Egito, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Este último seria de particular interesse para o Brasil, diante do impasse sobre as exportações de carne brasileira impedidas pelo bloco.

Um encontro com Donald Trump, por ora, está descartado pelo governo brasileiro, que não solicitou a reunião nem recebeu qualquer sinalização nesse sentido. A avaliação é de que não haveria novidade significativa em tal diálogo, especialmente com o prazo decisivo para tarifas vencendo em 15 de julho.

Nos discursos, Lula pretende criticar o unilateralismo e o protecionismo, sem menções diretas a Trump. O foco será na defesa do multilateralismo, da reforma das instituições internacionais, como a ONU e os órgãos de Bretton Woods, e na busca por um sistema financeiro mais justo e representativo para o Sul Global.

As bandeiras brasileiras, incluindo a reforma do Conselho de Segurança da ONU e maior representação do Sul Global nas instituições financeiras, chegam a Évian em um momento em que o próprio G7 luta para manter sua relevância e capacidade de resposta a crises globais.

O fórum, criado em 1975 para coordenar respostas a crises econômicas, confronta hoje a questão fundamental de sua utilidade em um cenário onde um de seus membros mais influentes questiona os princípios fundadores do clube, gerando incertezas sobre a capacidade do grupo de agir de forma unificada e eficaz em prol da paz e da estabilidade globais.

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