TERRAS RARAS

G7 anuncia acordo sobre terras raras; Brasil vê chance de ampliar influência

Líderes do G7 reunidos em uma sala de conferências.
Líderes do G7 durante cúpula discutem estratégias para minerais críticos.

Líderes do G7 buscam reduzir dependência da China. Brasil avalia ampliar participação em etapas de maior valor agregado na cadeia produtiva global.

Em uma decisão tomada na quarta-feira, 17 de julho de 2026, os líderes do G7 estabeleceram uma meta ambiciosa para reduzir a dependência global de um único fornecedor de terras raras e ímãs permanentes, limitando-a a menos de 60% até 2030, com o objetivo de atingir 50% o mais rápido possível. Essa iniciativa, que visa diversificar fornecedores e coordenar estoques estratégicos, ganha relevância imediata para o Brasil, que vê na reconfiguração das cadeias produtivas globais uma oportunidade estratégica para fortalecer sua posição internacional. O movimento é fundamental pois impacta diretamente a dinâmica do comércio global de minerais críticos, essenciais para tecnologias modernas, e busca mitigar a concentração de mercado atualmente dominada pela China.

A medida anunciada pelo grupo de países industrializados (Estados Unidos, União Europeia, Japão, Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido) mira diretamente a China, líder mundial no processamento e produção de terras raras e ímãs permanentes. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores chinês defendeu seus controles de exportação, afirmando que as ações seguem normas internacionais, mas criticou a formação de blocos econômicos exclusivos, alertando para potenciais prejuízos ao comércio global.

No governo brasileiro, a decisão do G7 foi recebida como um indicativo claro de uma janela de oportunidade. A avaliação é que a disputa entre as potências por fontes alternativas de minerais críticos abre espaço para o Brasil exigir investimentos significativos em beneficiamento, processamento, pesquisa, tecnologia e industrialização local. O país já negocia acordos de minerais críticos em formatos distintos com Estados Unidos, União Europeia e Japão. A negociação com os norte-americanos é considerada a mais avançada, com expectativas de que novos compromissos resultem em efeitos práticos, a exemplo de refinamento em território brasileiro, possivelmente financiados por instituições como a DFC e o Exim Bank, atrelados a contratos de compra futura (offtakes).

Um ponto de atenção na proposta americana é a menção a um "first look" para investimentos, interpretado como uma tentativa de garantir prioridade na análise de projetos brasileiros de minerais críticos. Por outro lado, a ala desenvolvimentista do governo brasileiro vê a movimentação do G7 como um reforço à tese de que o Estado deve ter um papel central na coordenação do setor. Essa visão defende que o interesse externo em minerais como terras raras, lítio, nióbio, grafite, cobre e níquel seja utilizado para condicionar parcerias a compromissos de industrialização, transferência de tecnologia e formação de cadeias produtivas locais.

Essa estratégia dialoga com o debate em curso no Congresso Nacional. O texto aprovado pela Câmara e em análise no Senado amplia o papel do governo na definição de projetos prioritários e cria instrumentos para estimular a agregação de valor no Brasil. Na prática, a proposta visa dar ao governo maior capacidade de influenciar a entrada de capital estrangeiro e de condicionar projetos estratégicos a compromissos de beneficiamento e industrialização no país. A criação de um conselho ligado ao governo federal, com poder para avaliar e homologar operações internacionais, também está prevista.

A postura brasileira está alinhada com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula do G7, em Evian-les-Bains, França, onde defendeu a participação dos países detentores de minerais críticos nas etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva. A diplomacia brasileira tem consolidado a industrialização local como eixo central de sua posição internacional sobre o tema. Nos bastidores, há incômodo com a atuação de atores do setor mineral que discutem parcerias diretamente com governos estrangeiros sem coordenação prévia com o Itamaraty, o que poderia enfraquecer a posição negociadora do Brasil em um momento crucial.

No setor privado, a preocupação reside no risco de excesso de intervenção estatal ou regras pouco claras afastarem investidores, justamente quando o Brasil busca se apresentar como uma alternativa confiável à China no fornecimento de minerais críticos.

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