POUPANÇA SOB AMEAÇA

Fundo Soberano do RJ encolhe 40% em meio a gestão de recursos do Petróleo

Plataforma de exploração de Petróleo P71 da Petrobras operando no litoral do Rio de Janeiro.
Plataforma da Petrobras no Rio de Janeiro (P71) — Foto: Raoni Alves / g1 Rio

O Fundo Soberano do Estado teve redução bilionária nos últimos anos, gerando debates sobre o uso de receitas finitas diante da previsão de queda na produção.

O Conselho Gestor do Fundo Soberano do Estado do Rio de Janeiro decidiu reduzir o patrimônio acumulado para garantir o futuro das próximas gerações, impactando o saldo disponível que encolheu quase 40% em um curto intervalo. Entre o fim de 2023 e o fim de 2025, o valor disponível caiu de R$ 3,42 bilhões para R$ 2,06 bilhões, uma perda acumulada de R$ 1,36 bilhão. O esvaziamento ocorreu em um período no qual o Rio permaneceu entre os maiores beneficiários da exploração de Petróleo no país. Em março deste ano, mesmo com o fundo já fragilizado por uma queda superior a R$ 1 bilhão em relação ao seu pico, o colegiado chegou a aprovar projetos que somavam R$ 730 milhões — o que representaria 35% de todo o saldo disponível à época. Essas propostas incluíam obras de pavimentação, sinalização e contenção de encostas, mas foram posteriormente suspensas pelo governador em exercício, Ricardo Couto. A decisão de frear os gastos traz alívio imediato, embora especialistas alertem que a preservação do fundo é vital para evitar o colapso financeiro estadual frente a futuras variações na produção de Petróleo e Gás. Para a gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, o papel da reserva não é substituir o orçamento ordinário do Estado. "A obrigação de pavimentação não é do Fundo Soberano. Quando você disciplina o uso, você consegue fazer com que esse investimento traga retorno para construir o futuro", defende. Enquanto o governo, sob a atual gestão de Ricardo Couto, nega o uso de recursos do Fundo Soberano, o secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, assegura que futuras deliberações passarão por análise técnica com total transparência. A Alerj criou o Fundo em 2022 justamente para blindar o Rio contra a finitude dos recursos naturais, seguindo modelos bem-sucedidos como o da Noruega, que transformou a riqueza do subsolo em patrimônio para as próximas gerações.

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