SISTEMA PRISIONAL SOB TENSÃO

Fugas em série revelam crise estrutural e sucateamento nos presídios de Minas

Policial Penal em serviço em unidade prisional de Minas Gerais
Unidades prisionais em Minas enfrentam desafios de infraestrutura e sobrecarga de pessoal.

Registradas em Belo Horizonte e Passos, as ocorrências evidenciam o déficit de efetivo e a precariedade das unidades prisionais mineiras.

Duas fugas registradas em unidades prisionais de Minas Gerais, em um intervalo de apenas três dias, deixaram nove detentos foragidos e colocaram em xeque a segurança do sistema prisional do estado. A decisão de apurar os episódios foi tomada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), que busca entender as brechas que permitiram as evasões em um contexto de pressão sobre as estruturas carcerárias.

A primeira fuga ocorreu na madrugada de segunda-feira (27/7), no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte. Sete detentos abriram um buraco em uma cela e transpuseram o muro da unidade. Destes, quatro foram recapturados, enquanto Luiz Fernando Freitas Pereira, conhecido como “Bolotinha”, Saymon Patric Gomes Silva, o “LB”, e Bruno Gustavo Gomes da Paixão permanecem sendo procurados.

Três dias depois, na quinta-feira (30/7), uma nova evasão foi constatada no Presídio de Passos, no Sul de Minas. Durante a conferência de rotina, policiais penais identificaram que o cadeado de uma cela fora rompido, facilitando a saída de seis internos. Até o momento, Diogo Henrique da Cruz Fabiano, Júlio Arnaldo Toledo, Leonardo Willians Silva Pereira, Marcos Túlio Cruz Fabiano, Matheus Loiola Divino e Wagner Santos de Lima seguem foragidos.

Desafios estruturais e humanos

Representantes da Polícia Penal alertam que os episódios não são isolados, mas sintomas de um sucateamento crônico. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG), Wladimir Dantas, o déficit de pessoal e o desgaste das instalações comprometem a segurança coletiva.

“Os cadeados são obsoletos e o maquinário é insuficiente. No Ceresp Gameleira, a estrutura sofre com infiltrações e reboco deteriorado”, relata Dantas. O sindicalista destaca ainda a sobrecarga psicológica da categoria, apontando que a maioria dos servidores apresenta quadros de adoecimento, como a síndrome de Burnout, devido à rotina extenuante e às defasagens salariais.

Em contraponto, a Sejusp-MG sustenta que tem investido em ampliações e reformas, citando que o Ceresp Gameleira passou por obras em 2024 que elevaram a capacidade de 412 para 798 vagas. A pasta reforça que processos de contratação seguem em curso, com cerca de 5 mil novos policiais penais integrados à gestão atual.

As investigações sobre as responsabilidades pelos danos às estruturas e a falha na custódia estão sob encargo do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG). A população pode colaborar com denúncias anônimas através do telefone 181.

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