AGRO PRESSIONA
FPA cobra ação imediata do governo por dívida rural
Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária exigem R$ 120 bilhões para produtores, contra os R$ 81,6 bilhões propostos, antes do Plano Safra.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensifica a pressão sobre o governo e o Congresso Nacional, buscando a votação urgente do Projeto de Lei 5122/2023, que trata do endividamento rural. A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS) reiterou nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, que o tema é prioridade máxima e que pretende levá-lo à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) já na próxima semana, caso não haja acordo com o Executivo sobre as mudanças propostas. A medida é crucial para milhares de produtores que dependem da renegociação de suas dívidas para garantir o plantio da próxima safra, impactando diretamente a segurança alimentar e a economia do país.
Em uma reunião da FPA, a senadora Tereza Cristina expressou grande preocupação com a delicada situação financeira dos produtores, especialmente com a proximidade do próximo Plano Safra. "Nós estamos correndo, porque muitos produtores dependem dessa renegociação para plantar a próxima safra. O Plano Safra já está aí e tem que ser anunciado até 1º de julho", alertou, sublinhando a urgência da questão.
A proposta do governo, que sugere aportes de até R$ 81,6 bilhões para o setor, é considerada insuficiente pelos parlamentares da FPA. A bancada agropecuária reivindica um orçamento de cerca de R$ 120 bilhões, argumentando que a diferença é vital para atender às reais necessidades do campo e evitar uma crise generalizada.
O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), confirmou que os parlamentares pressionam o governo pela liberação da verba. Em entrevista coletiva, ele insinuou que parte desse montante poderia ser realocada a partir da arrecadação extra do governo com a alta do petróleo. "Aliás, esse é exatamente o valor que o governo está arrecadando com essa alta do petróleo, com essa alta dos combustíveis, a arrecadação foi de cerca de R$ 128 bilhões. Então, a gente está tentando provar para o governo, mostrar que eles têm sim de onde tirar e só ter responsabilidade fiscal e prioridade", afirmou Lupion.
Tereza Cristina também destacou a resistência do governo em utilizar fundos sociais, como os do pré-sal – que representam cerca de R$ 30 bilhões – para subsidiar o Projeto de Lei. Para ela, é imperativo "cortar o problema pela raiz" antes que as consequências se agravem. "Mas se o governo não resolver isso agora, esse valor vai ficar exponencialmente maior e muita gente vai sair da atividade. É uma tempestade muito mais que perfeita", enfatizou, alertando para o impacto social e econômico.
Além das dívidas, a bancada busca avançar outras votações de interesse do setor em um "dia do agro" na Câmara dos Deputados. Pedro Lupion indicou que uma data exclusiva deve ser acordada nas próximas semanas para pautas como o seguro rural, considerado fundamental para a segurança e estabilidade dos produtores.
O presidente da FPA afirmou que pretende apresentar o relatório da lei do seguro rural, que busca modernizar as normas do setor, ainda nesta semana, visando o próximo Plano Safra e garantindo maior proteção aos agricultores frente a intempéries e oscilações de mercado.
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