VIOLÊNCIA CONTRA ATIVISTA

Forças israelenses torturam ativista brasileiro, denuncia Itamaraty

Forças israelenses torturam ativista brasileiro, denuncia Itamaraty

Thiago Ávila relatou espancamentos e isolamento após captura de flotilha humanitária em 29 de abril de 2026. Brasil e Espanha exigem retorno imediato.

Forças navais de Israel capturaram uma flotilha humanitária em 29 de abril de 2026, em águas internacionais, alegando violação do bloqueio naval à Faixa de Gaza. Entre os 175 detidos, quatro são brasileiros, incluindo o ativista Thiago Ávila, que relatou à Embaixada do Brasil ter sido torturado e espancado por militares israelenses. A denúncia de maus-tratos, feita nesta sábado, 02/05/2026, intensifica uma crise diplomática, com o Itamaraty classificando a ação como "sequestro" e "afronta ao direito internacional".

A Global Sumud Flotilla, organização responsável pela missão humanitária, informou que o ativista e o colega Saif Abu Keshek foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte de Gaza. O contato consular com Ávila ocorreu por meio de representantes da Embaixada do Brasil em Israel, que tiveram seus celulares impedidos durante a visita, segundo a organização.

Thiago Ávila descreveu aos diplomatas um cenário de extrema violência: foi arrastado de bruços, desmaiou duas vezes devido a espancamentos e apresentava marcas visíveis de agressão no rosto, além de queixas de dores intensas, principalmente no ombro. Relatou ainda ter sido mantido vendado e em isolamento por mais de dois dias, e atualmente encontra-se em uma cela sem janelas. A advogada presente na visita confirmou que o ativista está com o olho esquerdo fechado em razão do inchaço dos ferimentos.

Essa não é a primeira vez que Ávila é detido em flotilhas. Em ocasiões anteriores, seus familiares já haviam denunciado maus-tratos, ameaças e confinamento solitário. Contudo, a Global Sumud Flotilla alerta que a situação atual é mais grave, pois o ativista não está apenas sob as leis de imigração, mas também enfrenta a ameaça de acusações criminais severas sob a legislação penal israelense.

O Ministério de Relações Exteriores de Israel publicou no X que Thiago Ávila é "suspeito de atividade ilegal" e Saif Abu Keshek, "suspeito de filiação a uma organização terrorista", sem detalhar as evidências. A pasta reiterou que Israel "não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza". As autoridades israelenses informaram, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, que interrogariam Ávila e Abu Keshek, enquanto outros ativistas capturados foram liberados e encaminhados a um porto em Creta.

Ainda sem acusações formais, a Global Sumud Flotilla adverte que Ávila poderá permanecer preso por tempo indeterminado. Ele relatou à embaixada ter sido interrogado pelo Shin Bet, a agência de inteligência interna israelense, e que seria submetido a um novo interrogatório pelo Mossad, por suspeita de ligação com organização terrorista. A Embaixada do Brasil, por sua vez, não recebeu informações oficiais sobre as acusações.

Em uma posição firme, o Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol condenando veementemente o que chamaram de "sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel". O documento exige o retorno imediato de Ávila e Abu Keshek, com garantias de segurança.

"Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições", afirma a nota, ressaltando o potencial de desdobramentos legais em nível global.

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