FMI ALERTTA BRASIL

FMI recomenda que Brasil poupe receita extra do petróleo para estabilizar dívida

Fachada do edifício sede do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, D.C.

Organismo pede continuidade e maior ambição em reformas fiscais para estabilizar a dívida pública. Recomendações incluem poupar receitas extraordinárias ligadas à alta do petróleo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que o Brasil deu passos importantes na melhora de suas contas fiscais, mas reforçou a necessidade de ações mais contínuas e ambiciosas para consolidar a estabilidade da dívida pública. Uma das recomendações centrais da missão do FMI ao país é que o governo direcione parte da arrecadação adicional, proveniente da elevação dos preços do petróleo, para a poupança fiscal. A análise integra a declaração de fim de missão referente à Consulta do Artigo IV, realizada entre 18 e 29 de maio com autoridades brasileiras.

Daniel Leigh, chefe da missão do FMI, destacou que as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras visam aprimorar a posição fiscal. Contudo, ele enfatizou a urgência de reformas fiscais significativas para assegurar uma trajetória de queda consistente na dívida pública. Para o organismo, a poupança de receitas extraordinárias vinculadas ao petróleo, combinada com apoio temporário e direcionado, a mobilização de receitas e o controle dos gastos, é fundamental. Esse conjunto de ações, segundo o FMI, fortaleceria a credibilidade fiscal, reduziria os custos de financiamento e criaria o espaço necessário para investimentos prioritários.

O cenário internacional, com especial atenção aos riscos geopolíticos e ao aperto das condições financeiras globais, também foi um ponto de atenção. Embora o FMI reconheça que o Brasil se beneficia da condição de exportador líquido de petróleo e da forte participação de fontes renováveis em sua matriz energética, mitigando alguns impactos da alta de preços, os riscos para o crescimento econômico do país foram classificados como predominantemente para baixo. Apesar disso, o FMI ressaltou que os fortes arcabouços de política, a solidez do sistema financeiro, as reservas adequadas e a flexibilidade cambial continuam a sustentar a resiliência da economia brasileira.

Em relação ao sistema financeiro, o FMI apresentou conclusões do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP), que ocorreu paralelamente. O setor financeiro brasileiro foi considerado resiliente, com bancos apresentando bons níveis de capitalização e liquidez. A equipe recomendou que a vigilância se mantenha constante, com foco especial nos riscos do crédito familiar e no aprimoramento da supervisão. Inclui-se também a necessidade de ações para mitigar a escassez de pessoal no Banco Central do Brasil (BCB) e fortalecer as proteções legais.

O Fundo Monetário Internacional também observou avanços nas reformas estruturais e na agenda de transformação ecológica do Brasil. Essas iniciativas, segundo o organismo, têm o potencial de impulsionar o crescimento econômico no médio prazo. Leigh pontuou que a continuidade nos esforços para otimizar o ambiente de negócios, estimular a concorrência, aumentar a participação da força de trabalho e promover a descarbonização são cruciais para elevar a produtividade, atrair investimentos e alcançar um crescimento inclusivo.

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