AJUSTE SOB RISCO

Congresso Nacional aprova PLP que expande gastos fora do arcabouço fiscal

Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília.
Esplanada dos Ministérios, em Brasília, palco das decisões sobre o Orçamento federal.

Decisão autoriza antecipação de despesas e novos benefícios setoriais em 2026, elevando preocupações da IFI sobre a sustentabilidade da dívida pública.

O Congresso Nacional aprovou, nesta quarta-feira (12), o Projeto de Lei Complementar (PLP) dos combustíveis, medida que amplia a margem para despesas fora das regras fiscais em 2026. A decisão, que segue para sanção presidencial, busca mitigar a volatilidade dos preços do petróleo, mas reacendeu alertas sobre a integridade do arcabouço fiscal vigente.

Ao incorporar diversos dispositivos extras, o projeto extrapolou seu escopo original. O impacto direto da medida é a permissão para antecipar gastos de 2027 para 2026, além da inclusão de incentivos fiscais para setores como Defesa, agronegócio e indústria de fertilizantes. Na prática, a manobra contábil permite o aumento de despesas sem repercussão imediata na meta fiscal do ano corrente.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado Federal, manifestou preocupação com a fragilização das contas públicas. Em nota técnica, a instituição reforçou que a exclusão de despesas do cálculo do resultado primário e a criação de novas exceções dificultam a ancoragem das expectativas econômicas, podendo pressionar a trajetória da dívida pública e, consequentemente, os juros.

Apesar da deterioração fiscal de curto prazo, o governo argumenta que o texto estabelece gatilhos para limitar o crescimento de despesas obrigatórias a partir de 2027. A expectativa oficial é abrir uma folga orçamentária de R$ 10 bilhões nos próximos anos, como contrapartida ao aumento de gastos autorizado agora.

O cenário atual torna ainda mais desafiadora a manutenção da meta de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) prevista para 2026 no PLDO. Especialistas reforçam que a recorrência de exceções desvia o foco do ajuste estrutural, transferindo a conta para o futuro da economia nacional.

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