PLANO DE SEGURANÇA
Flávio Bolsonaro defende classificar milícias como organizações terroristas
Senador propõe tratamento severo contra facções e grupos armados, com foco em repressão e inteligência. Medidas incluem alterações constitucionais.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, reafirmou nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, sua defesa pela classificação de milícias como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante o lançamento de um plano de segurança em São Paulo, no Teatro B3, localizado na Avenida Faria Lima. Esta posição já havia sido apresentada pelo parlamentar em um evento anterior na capital paulista, em 15 de junho.
“O terrorista vai ser tratado como terrorista. Vamos declarar PCC [Primeiro Comando da Capital], Comando Vermelho, milícias e todas as outras facções como organizações narcoterroristas. Eles serão perseguidos com força e inteligência para que os seus líderes sejam presos e os seus negócios ilícitos sejam asfixiados. Bandido armado com fuzil vai ser abatido pelas nossas forças de segurança”, declarou Flávio Bolsonaro.
As milícias operam como um poder paralelo às forças estatais, compostas por ex-integrantes do próprio Estado, como policiais, ou por civis. A legislação brasileira atual já criminaliza a formação desses grupos, impondo penas de reclusão. O pré-candidato, que tem defendido a inclusão de facções no rol do terrorismo, agora amplia seu discurso para abranger as milícias, alinhando-se a iniciativas internacionais. Recentemente, os Estados Unidos oficializaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Flávio Bolsonaro detalhou o modus operandi desses grupos: “As milícias e quaisquer outras organizações que tenham esse modo de operação, de dominar territórios, de impor o medo coletivo, de usar barricadas para impedir acesso a serviços públicos, às comunidades, polícia, ambulância, entregas em domicílio; que tocam fogo em ônibus, que atiram inocentes no meio que estão passando no meio da rua; pessoas dentro do ônibus, indo trabalhar, sendo alvejadas, como já aconteceu no Rio de Janeiro; por esse tipo de gente. Não dá para ter mais tolerância com esse tipo de marginal.”
Um ponto crítico de seu histórico político remonta a 2008, quando, como deputado estadual, Flávio Bolsonaro votou contra a abertura da CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Na época, as milícias já exerciam forte controle territorial, cobravam taxas ilegais e ameaçavam moradores em diversas áreas do Rio de Janeiro.
O nome de Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano e apontado como líder de uma milícia na zona oeste do Rio e integrante do Escritório do Crime, também surge em conexão com o senador. Em 2018, enquanto Adriano estava preso sob acusação de homicídio, Flávio Bolsonaro lhe concedeu a Medalha Tiradentes, a maior honraria da Alerj. A mãe e a então esposa de Adriano atuaram em seu gabinete na Alerj, deixando os cargos em novembro de 2018 após o surgimento de suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de Jair Bolsonaro. As investigações sobre o caso foram encerradas em 2021, após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular provas contra o senador.
O plano de segurança de Flávio Bolsonaro, intitulado “Brasil sem Medo”, propõe 12 medidas principais. Além do combate ao crime organizado, as propostas incluem a castração química para condenados por crimes sexuais, a redução da maioridade penal para 16 anos, a formação de uma tropa de elite nas fronteiras, a criação de novos presídios de segurança máxima e um sistema nacional de reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais. Algumas dessas medidas demandam alterações na Constituição Federal, necessitando aprovação do Congresso Nacional.
O evento contou com a presença do deputado federal Guilherme Derrite e do senador Sergio Moro, ambos pré-candidatos em seus respectivos estados.
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