SAÚDE PÚBLICA AVANÇA

Fiocruz inova e integrará fitoterápico de quebra-pedra ao SUS

Planta Phyllanthus niruri, conhecida como quebra-pedra, ao lado de frasco de medicamento
Imagem ilustrativa de planta quebra-pedra ou medicamento fitoterápico

Primeiro fitoterápico de laboratório público chega para tratar cálculos renais, após aprovação da Anvisa.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) prepara-se para uma etapa histórica: a inclusão de um medicamento fitoterápico inovador, derivado da planta Phyllanthus niruri – popularmente conhecida como quebra-pedra –, na rede de distribuição do Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio, que representa um marco na saúde pública brasileira, visa oferecer um tratamento eficaz e acessível para condições do sistema urinário, como a litíase renal, impactando positivamente a vida de milhares de pacientes em todo o país, conforme destacado nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026.

O fármaco, inteiramente desenvolvido e produzido por laboratórios públicos da Fiocruz, será pioneiro: trata-se do primeiro fitoterápico brasileiro com essa origem a ser disponibilizado na rede pública. Atualmente, o medicamento encontra-se em fase crucial de estudos de estabilidade e será submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação definitiva. A expectativa é que, após a conclusão dessas etapas regulatórias, o acesso à população seja garantido.

A iniciativa soma-se aos 12 medicamentos fitoterápicos já oferecidos pelo SUS, conforme a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), que incluem plantas como aroeira, babosa, hortelã e salgueiro. O processo para que um novo medicamento seja incorporado e financiado pelo Sistema Único de Saúde é rigoroso, envolvendo a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

A Anvisa já havia reconhecido a Phyllanthus niruri pela sua segurança e eficácia no aumento do fluxo urinário, fundamentada em dados de uso tradicional. Estudos aprofundados, com participação de diversas frentes do Ministério da Saúde (MS), revelaram que o princípio ativo da quebra-pedra pode atuar em várias fases da litíase urinária, popularmente conhecida como pedra nos rins. Seu uso tem o potencial de inibir a formação de novos cálculos e facilitar a eliminação dos existentes, trazendo alívio significativo para os pacientes.

Maria Behrens, pesquisadora de Farmanguinhos/Fiocruz e responsável por este projeto pioneiro, expressa a relevância da descoberta. "Por reunir tantas propriedades, este fitoterápico é tão importante para nós. Essas características em um único produto o tornam inovador, pois não há no mercado um produto que atue nas diferentes etapas da litíase urinária", destaca Behrens, evidenciando o potencial transformador do medicamento.

A pesquisadora ainda salienta a importância crucial da integração de conhecimentos tradicionais na produção farmacêutica em um país de vasta biodiversidade como o Brasil. A união entre a sabedoria ancestral da medicina tradicional e as rigorosas metodologias científicas modernas não só promove a valorização cultural, mas também impulsiona a sustentabilidade econômica na fabricação de medicamentos.

Behrens conclui: "Considerando que ainda há uma dependência do Brasil de insumos importados, os recursos da nossa sociobiodiversidade com respaldo científico fortalecem a bioeconomia e impulsionam o desenvolvimento sustentável no país."

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