AVANÇO CIENTÍFICO CONTRA MALÁRIA
Fiocruz identifica alvos para vacina universal contra malária
Pesquisa publicada na Nature em 01/07/2026 identificou fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem conferir proteção ampla contra diferentes espécies do microrganismo, abrindo caminho para uma vacina universal. O estudo foca na resposta imune mediada por linfócitos T CD8+.
Cientistas da Fiocruz identificaram um conjunto de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium com potencial para desenvolver uma vacina universal contra a malária. A descoberta, publicada nesta quarta-feira, 01/07/2026, na revista Nature, visa criar um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies do microrganismo e atuar em várias fases da infecção.
A pesquisa identificou alvos presentes tanto no Plasmodium falciparum quanto no Plasmodium vivax, as duas principais espécies causadoras da doença em humanos. Atualmente, as vacinas aprovadas possuem eficácia limitada e são voltadas predominantemente para o P. falciparum. Este novo estudo lança luz sobre a atuação dos linfócitos T CD8+, células de defesa cruciais na destruição de células infectadas, que até então eram menos exploradas no desenvolvimento de vacinas.
"Há mais de 50 anos tentamos desenvolver uma vacina contra a malária. Só recentemente tivemos imunizantes aprovados, com eficácia limitada e voltados para o P. falciparum e crianças. Um dos maiores desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais", explicou a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo. Segundo ela, o trabalho revelou a importância dos linfócitos T CD8+ no combate ao parasita e permitiu a identificação de proteínas-chave.
Na primeira etapa, os cientistas usaram a técnica de imunopeptidômica para mapear os antígenos expostos na superfície de células infectadas. Foram identificados 453 peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas do parasita, derivados de 166 proteínas distintas. Essa análise revelou que a maioria desses fragmentos provém de proteínas essenciais para a sobrevivência do parasita, conhecidas como 'housekeeping'.
Como essas proteínas 'housekeeping' são vitais em todas as fases do ciclo de vida do parasita e conservadas entre diferentes espécies, elas se tornam alvos promissores para uma vacina de atuação ampla. "Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e são altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal", destacou Junqueira.
Em testes subsequentes, a equipe verificou o reconhecimento desses peptídeos pelo sistema imunológico. Os resultados mostraram resposta imune em pacientes infectados por P. vivax e P. falciparum, além de resposta em outras três espécies de Plasmodium, incluindo aquelas que afetam primatas e camundongos. "Confirmamos a resposta imunológica em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos à infecção experimental e modelos animais", afirmou Junqueira.
Os experimentos abrangeram amostras humanas e modelos animais. Em primatas e camundongos, os antígenos identificados estimularam a resposta de células T tanto no fígado, local da fase inicial da infecção, quanto no sangue. Essa descoberta representa um avanço significativo na luta contra a malária, uma doença que afeta milhões de pessoas globalmente.
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