LIGAÇÕES PERIGOSAS
Financiadora de Dark Horse foi maior pagadora de empresa ligada ao PCC
Investigação aponta repasses milionários da Entre Investimentos para rede de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
A Entre Investimentos e Participações, responsável pelo financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está no centro de uma investigação policial. Conforme apurações da Polícia Civil de São Paulo, a empresa realizou 14 transferências que somaram R$ 28 milhões para a ACX ITC Tecnologia entre 1º de agosto de 2024 e 25 de abril de 2025, tornando-se a maior pagadora da companhia naquele período, nesta segunda-feira, 13/07/2026.
A ACX ITC Tecnologia, segundo autoridades, integra uma rede articulada para a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas do PCC. A estrutura da empresa levanta suspeitas graves: o registro oficial aponta como sócio um indivíduo de baixa renda, que declarou atuar na venda de rifas de pipas e rabiolas, alegando ter cedido seu CPF em troca de R$ 5 mil após uma abordagem casual em um campo de futebol.
O caso está sob análise da 1ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo. Em relatório, o delegado Júlio Jesus Encarnação destacou que a ACX ITC movimentou R$ 918,3 milhões, apresentando fortes indícios de conexão com atividades ilícitas. A investigação, originada na Operação Saturno, foi remetida à Polícia Federal para aprofundamento, dado o envolvimento de diferentes núcleos de poder e esquemas financeiros.
Documentos indicam que a Entre Investimentos tem como sócio formal Antônio Carlos Freixo Junior, apontado pela Polícia Federal como um preposto do banqueiro Daniel Vorcaro. Foi por meio dessa mesma estrutura que teriam sido realizados pagamentos de R$ 61 milhões para a produção do longa-metragem sobre Jair Bolsonaro, atendendo a uma demanda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Outras empresas também aparecem na lista de pagadores da ACX ITC, como a Supaluh Transportes e Serv Empresariais, que movimentou R$ 11,7 milhões. Esta empresa já era alvo de apurações da CPMI do INSS por suposto desvio de recursos previdenciários e teve seu registro baixado pela Receita Federal em 2025.
Em nota, a Entre Investimentos informou que suas operações seguem as normas regulatórias do setor financeiro e reafirmou seu compromisso com a transparência e a legislação vigente. A empresa não detalhou a natureza comercial dos repasses específicos à ACX ITC Tecnologia.
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