ADEUS À ESCALA 6X1

Fim da escala 6x1 pode exigir mais trabalhadores no campo, alerta setor

Trabalhadores colhendo frutas em uma plantação durante a madrugada.
Colheita de frutas em uma fazenda no Nordeste do Brasil.

Diretor da Timbaúba, Sidney Tavares, avalia que o fim da escala 6x1 pode ampliar custos operacionais e aumentar a necessidade de contratação de pessoal em atividades rurais, como a fruticultura, que já enfrenta escassez de mão de obra.

A possibilidade de o Brasil abandonar a escala de trabalho 6x1 já suscita preocupações em áreas que demandam muita mão de obra, como a fruticultura. Sidney Tavares, diretor da Timbaúba, sinaliza que a alteração pode elevar os custos operacionais e intensificar a busca por trabalhadores para atividades no campo, especialmente durante a colheita.

Em muitas fazendas de frutas, as operações são realizadas de madrugada. O objetivo é amenizar os efeitos do calor sobre os produtos, como ocorre na colheita de uvas e cocos em regiões produtoras do Nordeste e Sudeste.

"O clima é mais ameno e impacta menos na fruta. Por isso, fazemos a colheita de madrugada", explicou Tavares.

Segundo ele, o eventual fim da escala 6x1 impactaria, sobretudo, as operações diretamente no campo. A estimativa aponta para a necessidade de um aumento de cerca de 5% no quadro de funcionários para manter o mesmo nível de produção.

"Na indústria o impacto é menor porque já trabalhamos em sistema 12x36. Mas no campo haveria necessidade de contratação", detalhou.

O setor produtivo, contudo, já lida com a dificuldade em encontrar trabalhadores disponíveis. A escassez de mão de obra rural tem levado empresas do agronegócio a explorar alternativas, como a mecanização e a automação de seus processos produtivos.

"Se essa mão de obra não existir, o caminho será acelerar a mecanização", disse o produtor.

Apesar disso, nem todas as culturas contam com soluções tecnológicas completamente desenvolvidas. Enquanto a colheita mecanizada de uvas avança, outras culturas, como a do coco, ainda dependem intensamente do trabalho manual.

"Hoje ainda precisamos empregar muita gente para a colheita do coco", ressaltou.

O setor também observa de perto as medidas recentes voltadas à formalização do trabalho temporário no campo. Produtores consideram que modificações nas regras para o trabalhador safrista poderão expandir a oferta de mão de obra formal nos próximos anos.

Representantes da fruticultura, no entanto, creem que essa transição será gradual e dependerá também de ações de orientação para os trabalhadores rurais.

A apreensão do setor ocorre em um momento em que diversas cadeias do agronegócio já reportam problemas de contratação em suas regiões produtoras, especialmente para atividades sazonais e que exigem grande esforço físico.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário