FIM DA 6X1 IMPACTA

Fim da escala 6x1 e redução de jornada podem encarecer tarifas de ônibus em até 8%, alerta CNT

Ônibus urbano em movimento em uma rua movimentada.
O aumento dos custos operacionais pode se refletir diretamente no valor das passagens de ônibus.

Presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que redução de jornada para 40 horas semanais exigirá contratações ou horas extras, elevando custos. Alternativas incluem aumento da tarifa ou corte de viagens.

A recente aprovação da PEC 221 na Câmara dos Deputados, que visa o fim da escala de trabalho 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, levanta preocupações sobre um aumento significativo nos custos do transporte urbano no Brasil. Estimativas divulgadas pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) sugerem uma elevação de até 8% nas tarifas de ônibus, um impacto que poderá ser absorvido pelos usuários ou pelas prefeituras, afetando diretamente o bolso da população e os orçamentos públicos.

Vander Costa, presidente da CNT, explicou em 21 de junho de 2026 que o encarecimento do setor decorre da necessidade de contratar mais motoristas ou de arcar com horas extras para compensar a diminuição da carga horária. "A proposta da PEC 221 aprovada na Câmara vai trazer um aumento generalizado no custo do transporte, especificamente no transporte urbano, estimativa de um aumento da ordem de 8%", afirmou Costa.

Tarifa ou redução de viagens: o dilema

Segundo Vander Costa, o setor de transporte público enfrenta um dilema para lidar com o aumento dos custos. A primeira alternativa seria o reajuste da tarifa cobrada ao passageiro, tornando o deslocamento mais caro para a população. A segunda opção envolve o incremento do subsídio pago pelo poder público, o que poderia desviar recursos de outras áreas essenciais, como saúde e educação.

Uma terceira via, ainda mais prejudicial à mobilidade urbana, seria a redução da quantidade de viagens. Isso resultaria em intervalos maiores entre os ônibus, comprometendo a eficiência do serviço. "Outra alternativa seria reduzir a quantidade de viagens, fazendo com que o intervalo entre um e outro seja maior, que também prejudica a população", destacou o presidente da CNT.

Em cidades como Brasília, onde aproximadamente 80% do custo da tarifa já é bancado pelo Estado, qualquer aumento nos custos operacionais representa uma pressão direta sobre os orçamentos municipais. "Seja aumentando o valor pago pelo governo, que vai tirar dinheiro de outras áreas, como a saúde, para poder custear o transporte público", alertou Costa.

Jornada reduzida: o principal entrave

Para Vander Costa, a mudança mais impactante da PEC 221 não é a alteração do modelo de escala em si, mas a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Ele explicou que muitas empresas já operam com escalas como a 5x2, mas mantendo as 44 horas semanais. "O que mais aumenta o custo efetivamente é a redução de 44 para 40, porque naturalmente no sábado e domingo você tem menos ônibus rodando", disse.

O representante da CNT também ressaltou a escassez de mão de obra qualificada no setor, o que agrava o cenário. "A gente tem dificuldade na contratação de motorista, está faltando motorista, e isso vai implicar no aumento de custos", afirmou. A mão de obra, segundo ele, é o item de maior peso na planilha de custos do transporte urbano, impactando diretamente a dignidade do serviço oferecido à população.

Prazo de 60 dias é considerado inviável

Vander Costa criticou, ainda em 21 de junho de 2026, o prazo de 60 dias previsto para a entrada em vigor da legislação. Ele considera o período incompatível com as mudanças estruturais necessárias. "Não consigo mudar a estrutura do transporte em dois meses, o prazo é muito curto", declarou.

Como soluções de longo prazo, Costa mencionou a ampliação do transporte de massa, com novas linhas de metrô e ônibus de maior capacidade. Contudo, reconheceu que tais projetos demandam anos de planejamento e execução. Diante disso, a CNT defende o debate sobre a PEC 12, que propõe uma jornada flexível, como alternativa para mitigar os impactos imediatos sobre o setor e garantir a continuidade e a qualidade do transporte público.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário