CONSUMO RESISTE CRISE
FGV Ibre e CNC revelam: Dia das Mães desafia endividamento recorde
Intenção de compra atinge 85,7%, com previsão de R$ 14,47 bilhões em vendas. Brasil tem 82,8 milhões de endividados.
Apesar do cenário de juros altos e do elevado endividamento que atinge milhões de famílias, os consumidores brasileiros mantêm uma firme intenção de celebrar o Dia das Mães, impulsionando a expectativa de compras para a data ao patamar mais alto desde 2014, alcançando 85,7%. Esta constatação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta domingo, 10 de maio de 2026, ressalta a resiliência das famílias que, beneficiadas pela manutenção do emprego e da renda, além do controle da inflação, encontram espaço para a celebração mesmo em meio a desafios financeiros.
Detalhando a pesquisa, o FGV Ibre indica que 10,1% dos consumidores pretendem gastar mais em 2026, enquanto 65,6% planejam manter o mesmo nível de desembolso do ano anterior. Apenas 24,3% indicam a intenção de gastar menos. Anna Carolina Gouveia, pesquisadora e economista do FGV Ibre, avalia o cenário: "A quinta alta consecutiva do indicador de intenção de compras no Dia das Mães reflete a manutenção do nível de emprego e da renda e do controle da inflação. Esses fatores permitem algum espaço no orçamento das famílias para compras na data comemorativa, a despeito do nível elevado de endividamento das famílias brasileiras no momento".
Contudo, a realidade financeira do país permanece desafiadora. O Brasil registra 82,8 milhões de pessoas endividadas, um número expressivo que corresponde a 49% da população adulta. Este dado alarmante foi divulgado pela Serasa em 5 de maio de 2026, apenas um dia depois de o governo federal apresentar o programa Desenrola 2.0, uma iniciativa para tentar mitigar esse contingente e aliviar o peso da dívida sobre os cidadãos.
Preferências de Presentes
Entre as opções de presentes, o vestuário mantém a liderança, escolhido por 36,5% dos entrevistados, representando um crescimento em comparação com os 32,7% registrados em 2025. Em seguida, os itens de perfumaria e cosméticos (20,6%) aparecem como forte opção. Outras categorias mencionadas incluem calçados (4,0%), flores (5,1%), artigos para casa (3,7%), eletrônicos (1,4%), livros (3,6%), gastronomia (11,7%), lazer (2,3%) e até mesmo dinheiro (4,3%). A categoria 'outros' ou 'não sabia' totaliza 6,8%.
A preferência por gastronomia engloba experiências como almoços, jantares, lanches e cestas de café da manhã, enquanto 'lazer' abrange passeios, viagens, idas ao cinema, teatro, shows ou dias em spas, oferecendo momentos de bem-estar.
Otimismo Moderado no Varejo
Para o comércio, o Dia das Mães é considerado o "Natal do primeiro semestre", sendo a segunda data mais relevante do ano para o setor. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que as vendas para a data em 2026 devem alcançar R$ 14,47 bilhões, um aumento de 1,5% em comparação com o faturamento de 2025.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, expressa um otimismo cauteloso para o restante do ano. "Embora o setor apresente um avanço quando comparado com 2025 e a previsão de mais de 25 mil trabalhadores temporários, é preciso observar com cuidado o ritmo de crescimento do varejo nos próximos meses. A alta do combustível, com os reajustes que ela traz, e a revisão das projeções de menor queda para a taxa Selic trarão cautela em todos os setores da economia", analisa Tadros, destacando os desafios que podem impactar o ritmo de consumo.
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