ECONOMIA EM XEQUE
FGV: Confiança da indústria brasileira cai por incerteza global
Índice recua 0,8 ponto em abril, primeiro declínio em cinco meses. Conflitos no Oriente Médio elevam cautela e temor de choques no petróleo.
A Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, uma queda na Confiança industrial do Brasil em abril, interrompendo quatro meses de alta. A incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio, que intensificou conflitos no início do mês, é a principal responsável por esse recuo, um sinal de alerta para a economia nacional e a sensibilidade do setor a choques no preço do petróleo.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou uma queda de 0,8 ponto em abril, na comparação com o mês anterior, atingindo 96,0 pontos, conforme os dados da FGV. Esse declínio reflete a preocupação dos empresários com o cenário global instável.
O Índice de Expectativas (IE), que capta a percepção dos gestores sobre os próximos meses, recuou 0,9 ponto, firmando-se em 95,5 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas.
“O sentimento dos empresários quanto ao futuro dos negócios retrata o aumento da incerteza com a guerra no Oriente Médio, sobretudo nos primeiros dias do mês, quando os conflitos estavam mais intensos”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE, destacando o impacto direto dos eventos geopolíticos na psique do mercado.
Ele adicionou que “a queda da Confiança acende um alerta para os próximos resultados ao reforçar a sensibilidade da indústria a choques no preço do petróleo”, apontando para a vulnerabilidade do setor.
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, provoca problemas de oferta de petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, sem perspectiva de uma resolução. Essa situação global alimenta a instabilidade e a cautela no Brasil.
O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, também apresentou queda de 0,7 ponto, chegando a 96,5 pontos. Stéfano Pacini observou que isso ocorre em meio a estoques levemente acima da normalidade.
“Adicionalmente, a manutenção da política monetária restritiva ratifica o sentimento de cautela dos empresários quanto à conjuntura econômica, apesar de câmbio, inflação e mercado de trabalho se apresentarem como fatores positivos para o setor”, afirmou o economista do FGV IBRE, em referência à taxa Selic.
O Banco Central, inclusive, inicia nesta terça-feira uma reunião de política monetária, com expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, atualmente em 14,75%. A decisão é aguardada com atenção pelo mercado e empresariado.
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